quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Falta de Misericórdia de uma graça sem Graça


Vai, pois, agora, e fere a Amaleque, e destrói totalmente tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas e desde os camelos até aos jumentos. 1Sm 15.3

No Antigo Testamento, vê-se a formação do reino de Israel e o governo humano sendo um instrumento de Deus para guardar Sua nação. Em tal episódio, Saul acaba por desobedecer uma orientação justamente pelo fato dele ter aliviado aquilo que lhe parecia de valor, enquanto, a palavra dada era para destruir totalmente tudo. Em oposição a este comportamento, quantos na igreja [dispensação da Graça], ao invés de terem misericórdia diante do "amalequitas", não estão a destruir totalmente tudo [sem o aval do Senhor]?

Agora, a espada são palavras proferidas, por vezes, de um púlpito ou de um blog. É incrível a sede por sangue, por aniquilação, por revide. Lembra em muito a cena das multidões na arena dos gladiadores - aquele que um dia fora herói passa a ser alvo do escárnio. Que evangelho terrorista! Que desgraça.  Por maior que seja o pecado de um homem e o malefício produzido, convém, clamarmos por gotas de temperança em nossos olhos, ouvidos e lábios. 

Isto porque, do contrário, estaremos sempre com o polegar pra baixo[1] pedindo o sangue do que foi vencido pelo pecado. Esta postura está sendo passada de geração em geração no império evangélico e requer uma trabalho desde o infantil até a cúpula eclesiástica. Para você ter uma idéia do que falo, outro dia uma pré-adolescente demonstrou repulsa por um familiar que frequenta uma igreja, mas, cujo testemunho não condiz com a sua fé.

Ela falava com grande indignação e eu ponderei destacando o fato de que, talvez, aquela pessoa esteja buscando sua libertação e todo processo leva tempo. Ela não se dava por satisfeita, então, retruquei: o que você acha se eu tivesse essa mesma opinião ao te ver dançando Justin Bieber numa festa de 15 anos? Como você se sentiria se eu pensasse e falasse que de nada adianta você vir à igreja e ficar dançando com suas amigas da escola? Ela ficou me olhando por instantes e balbuciou: entendi...

Não deve haver tolerância com o pecado; fato. Só que devemos tratar dele e do praticante de forma bíblica e neo-testamentária. Sem espadas. Sem sangue derramado. Sem destruir totalmente tudo. Então, eu apelo aqui aos blogueiros e pregadores de púlpito: ensinem a Graça. Pois, toda afirmação vem seguida de uma negação; fulano está decaído [eu não]! Fulano é cachorro-morto [eu não, pelo contrário, vejam como eu sou bom]! Isto é uma graça sem Graça que você ensina porque nunca experimentou dela. Reveja seus conceitos antes que precise de misericórdia e só encontre um polegar pra baixo.

Permaneçamos firmes!

[1]. Na Roma Antiga, ao fim de um combate entre gladiadores, na arena, o vencedor tinha o hábito de consultar o patrocinador dos jogos quanto ao destino do perdedor. Geralmente, o patrocinador consultava o público que decidia por clemência (levantando o polegar ou abanando lenços brancos) ou morte (abaixando o polegar ou virando-o para o peito).

Gravura: cena do filme Gladiator, 2004. Joaquin Phoenix interpretando o imperador Lucius Aurelius Commodus Antoninus.

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Uma Escola Bíblica Chamada Sofrimento


...porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho. Hb 12.6

Não é muito popular, mas, é verdade: o Deus da Bíblia castiga sim. Por mais que escandalize ou contrarie parte da igreja moderna, o autor de Hebreus ressalta que Deus é capaz de açoitar os próprios filhos para o seu próprio bem. Açoite nos remete a dor. Logo, nem toda dor vem do diabo, mas, até quando este é a origem, ela poderá colaborar para o nosso bem sob a soberania do Eterno. Apesar disso, não é incomum surgir a pergunta: por que o cristão sofre?

Ela vem da fragilidade do ser humano e até mesmo de seu orgulho. No fundo, no fundo, ela traduz o pensamento: por que logo comigo? Prega-se tanta mudança de sorte, tanta palavra de vitória, que a impressão de "vou me dar bem" é o arroto de uma carnalidade alimentada! Chega a ser um escândalo o que diz Salomão em Eclesiastes 9.2. Aprende-se um evangelho que mais parece apólice de seguro: cobertura total em caso de sinistro [e quando "o seguro não cobre"... ah, Deus se esqueceu de mim e etc.].

Em contrapartida, faz pensar quando se ouve relatos de pessoas que superaram a perda de um filho e agora são envolvidas numa ong de ajuda a vítimas da violência. Pessoas que - mesmo não sendo cristãs - tiveram a força de vontade para após uma enfermidade grave mudar seus hábitos de vida e valorizá-la muito mais! Ainda que não tenham o Espírito Santo, um fruto pacífico de justiça [Hb 12.11] foi produzido porque existe uma graça comum e, afinal, todos [cristãos e não cristãos] estão submetidos à disciplina [Hb 12.8].

Como escrevi na postagem Soberania Divina e Sua Importância Vital é necessário, aliás, é a única coisa a ser feita no dia da adversidade, abraçar a dor. Quando ela é rejeitada é que se pergunta aonde está Deus. Pois, saiba que Ele está ali, na dor que você rejeitou. Só resta abraçá-la e ser envolvido pela manifestação das doces consolações do Santo Espírito. Não há meio de conhecê-las sem precisar delas um dia. Então, não banque o super-crente e nem seja um ufanista como se esta hora nunca fosse chegar.

Se você leu a postagem acima, viu o meu relato sobre a perda de uma amiga dos tempos de escola. Ela e toda a sua família é de formação católica e bastante evolvida na paróquia em que congrega. Na missa de 7º dia, ouvi da mãe dela [que já tinha perdido o marido e o filho mais velho] enquanto me abraçava: para quem iremos nós se só o Senhor tem palavras de vida eterna? Ah, meu filho, eu sei que não cai uma folha de uma árvore que Deus não saiba...

Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Eclesiastes 9.2.

Permaneçamos firmes!

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Música do Mundo e Música Gospel. Uma Questão Espiritual ou Lei de Mercado?



Eu não sei o que lhe trouxe aqui no blog Pregação dos Loucos, mas, definitivamente muito mais pessoas têm nos achado por causa do post Se Música do Mundo é Pecado, Por Que Filme Secular Não é? A indagação delas nada a tem a ver com os filmes e sim com a música. Digitam no Google "crente pode ouvir música do mundo?", "porque música do mundo é pecado?", "sermão sobre música secular" e coisas do gênero. Como um aficcionado da História Antiga, permita-me compartilhar algo com você.

"Para assegurar uma defesa duradoura, igrejas e abadias passaram a recrutar os próprios cavaleiros, que formavam as milites ecclesiae no sul e no norte da França. O próprio papa, a partir do século XI, para proteger seus domínios, dispunha da Milícia de São Pedro... O bispo lhes remetia preces e bênçãos, a bandeira do santo padroeiro da igreja que eles iriam defender com suas armas. Assim foi criada a bênção da espada, benedictio ensis. Assim, a função privilegiada de proteção das igrejas passava dos reis aos procuradores e seus guerreiros... os cavaleiros foram incitados a deixar a cavalaria do século (leiga), que levava à morte, para se tornarem "cavaleiros de Cristo" e obter a vida eterna".[1]

Já na Idade Média, por uma questão de conveniência, a igreja levantou a fronteira entre o secular e o espiritual (dentro da cavalaria), pois, isto lhe favoreceria. Seguindo esta linha de raciocínio, você acredita mesmo encontrar a resposta que tanto deseja perguntando a homens que lucram com a venda de cds de música gospel? Na lojinha dos templos vende-se que tipo de cd? Numa rádio evangélica promove-se que tipo de cantor? Ora, as leis do mercado também servem como balisadores do discurso, ou não?

Engraçado era a convenção: não dá para ouvir louvores durante a relação sexual com o cônjuge. Daí, a música do mundo - mesmo condenável - era permitida, pois, de estilo romântico nada teria que contrariasse a Bíblia [pecadinho - segundo a visão deles - tolerável, sabe cumé? Tipo glutonaria...]. Mas, voltando as leis de mercado, a maior gravadora gospel do país o que fez? Lançou uma série com seus artistas ministrando apenas música romântica [o que não recrimino] e abocanhou a fatia que faltava.

Pronto. Agora, a música secular é secular mesmo porque a música romântica gospel é romântica, mas, é gospel [sabe cumé?]. Só que a gravadora prefere não comentar sobre seus cantores que declaradamente se inspiram e curtem músicos não evangélicos. Inclusive sua banda mais famosa que meses atrás gravou uma versão do U2 para uma rádio secular... =O . Ontem, benedictio ensis; hoje, uma espécie de benedictio canticum (benção da música)?

Seja como for, prezador leitor, se Jesus é o caminho, a verdade e a vida, logo, a verdade também é um caminho. Já deu o primeiro passo? Então, explore-o. Você tem o Espírito Santo. Percorra-o. Você não precisa de homens e suas bengalas para isso.

Permaneçamos firmes!

Notas:

[1] Revista História Viva - Especial Cavaleiros, nº 26, Ediouro Gráfica, p. 15.

Gravura: Sua Santidade Urbano II (1088-1099) benze um guerreiro durante a convocação da Primeira Cruzada, em 1095. Iluminura do Século XV, autor desconhecido.

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Redes Sociais e o Cristão Moderno: apto para falar e tardio no ouvir



Já foi falado aqui no blog Pregação dos Loucos sobre como as Redes Sociais têm desempenhado um papel importante na edificação do Reino de Deus. Elas são mais do que ferramentas de mída, transformaram-se num fenômeno sócio-cultural que permite observar o comportamento das pessoas e seus pensamentos. Em contrapartida à pregação do apóstolo Tiago [1.19], é fácil constatar que o cristão moderno está sempre pronto para falar e é tardio no ouvir.

Isso não apenas pela utilização das Redes Socias, mas, pela maneira como elas têm sido utilizadas. É curioso observar os que acham o Twitter muito complicado, mas, lançam mão do Facebook como se ele fosse um microblog: frases curtas expressando pensamentos, sentimentos e compartilhando seus gostos. Alguns irmãos manifestam nada mais do que mensagens bíblicas, por vezes, palavras próprias sem nenhum cunho pessoal ou de entretenimento e é justamente por estes que a aptidão do ouvir pouco se manifesta.

É óbvio que todo blogueiro quer ser lido [digo, ouvido] por outras pessoas, bem como os que twittam ou os que preenchem o campo "No que você está pensando?". Esta ação terá algum tipo de reação por aqueles que se interessam pelo que você escreve incluindo discordância ou dúvida. Se as redes sociais são um canal de comunicação direta, nada melhor do que se comunicar, não é mesmo? Porém, é aí que se acentua o nosso desejo de falar, falar, falar e não ouvir.

Não foi mais de uma vez que eu entrei em contato via perfis com certos pregadores a fim de sanar dúvidas sobre um ponto e outro e a resposta que obtive foi nenhuma. Parece-me no mínimo curioso, pois, acontece com muito menos frequência com pessoas que têm maior notoriedade. Por exemplo, cronistas de futebol de minha predileção são muito mais acessíveis e possuem muito mais seguidores, o que não os impossibilita de dar o feedback. Será, então, receio de tomar alguma "calça arriada"?

Eu também já deixei comentários em blog, já preenchi formulário de Fale Conosco e nada. Vejo nisso a repetição na web de um equívoco congregacional: inacessibilidade. Por causa dos deveres denominacionais todos parecem estar sempre na correria e ocupados demais para um papo mais prolongado. Se nem pela internet isso se torna possível, cabe uma reflexão, sobre quem está sendo promovido através do nosso teclado: se Cristo ou se um cristão.

Permaneçamos firmes!

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