sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Ostentação Gospel, Conheça Esse Subproduto Da Igreja Moderna


Funk Ostentação e Ostentação Gospel. Parentes próximos?


À esquerda, Mc Guimê e à direita, Adriano Gospel Funk. Mensagens diferentes?

Eu já li uns dois artigos na internet que apontam a similaridade do funk ostentação com a teologia da prosperidade. Desejo, antes disso, fazer um caminho diferente, porque penso ser o homem um bicho exibicionista por natureza. Daí a ostentação gospel vir muito antes dos neo pentecostais. Mesmo quem não tem mais de dez anos de conversão poderá ter ao menos ouvido falar de determinados hábitos e costumes evangélicos que comprovam essa afirmação. Vejamos:


1. Terno: durante décadas era imposto ao pregador do culto a condição primaz de vestir terno. Não somente o pregador, mas, pastores, auxiliares e obreiros de igrejas como Assembléia de Deus e Igreja Cristã Maranata. Sendo assim, era (ou é) muito usual pôr o melhor terno no domingo à noite. Quantos elogios trocados por causa daquele terno top, o de risca-de-giz. Aquela gravata. Aquela abotoadura! Alguns evangelistas, quando pregavam em outra igreja, ainda iam com aquela maletinha cromada (mó broncão, varão! Êita glória!). Isso era (ou é) visto nos rincões do subúrbio, inclusive, sob a justificativa de que "pra Deus tem que ser o melhor".

2. Teologia: o próprio conhecimento até hoje é pendão de ostentação para muitos evangélicos. Por ter uma fundamentação sólida, não raro, era ver muitos batistas se gabarem dela. Afinal, isso lhes proporcionava uma vida de mais liberdade em Cristo (beber vinho e o uso de calça jeans pelas mulheres, costume proibido nas Assembléias de Deus).

3. Espiritualidade: parece ironia, mas não é, pois, ostentação se trata de exibicionismo. É mostrar sem necessidade. Pois, que inúmeras vezes ouvi que os evangélicos se acham melhores do que os outros. Comentário que tem sua razão, porque, acontece sim. Basta ter um conhecimento razoável e pronto. Época de natal, qual cristão jamais se sentiu superior por não comemorá-lo, afinal, sabe o que significa cada símbolo, que Jesus não nasceu dia 25 etc. etc. etc? E o irmão que se gaba de horas por horas a fio ou de jejuar mais do que todo mundo?

4. Retété: aquela manifestação típica de pentecostais onde fala em línguas estranhas e há profecia. Quem nunca conheceu um irmão que adora fazer uma cena? Que faz questão de mostrar que fala mais em mistérios do que os outros? Que é do fogo mesmo porque faz vigília no monte?

E com o advento do neo pentecostalismo... a ostentação gospel encorpou.

5. Megatemplos: a casa é grande porque Deus é grande. Fachadas suntuosas, altar de mármore, etc. Gasta-se muito com as coisas e pouco com as pessoas.

6. Denominacionalismo: ostentação da placa da igreja. Parece ironia, mas eu mesmo já me vi metendo essa bronca. Ah, vamos confessar aqui: quem não tinha orgulho de dizer que era da igreja do Toque no Altar??? Ostentar adesivo da igreja, a igreja que tem a revelação, a igreja que tem a visão, a igreja da família, a igreja que é A igreja...

7. Roupas: a partir do momento que as mulheres não são mais obrigadas a usar somente saias e vestidos, acontece a libertação das vestimentas. Com a teologia da prosperidade, o desfile das grifes fica mais intenso nos cultos de domingo à noite, afinal, "pra deus tem que ser o melhor". Não somente entre as mulheres, pois uma camisa La Coste é benssa pura.

8. Ministério: ostentação de fazer parte do ministério x ou y da igreja. Exemplo: intercessão - galera que tem unção, espiritualidade maior etc. Louvor: sempre tem um que faz umas graças a mais com a voz ou com o instrumento para se transpor aos outros. Verdade ou mentira?

9. Carros: sinônimo de ser abençoado, "foi deus quem deu". Numa determinada rua da região metropolitana do Rio de Janeiro há um fato curioso, as quatro igrejas: duas para pessoas e duas para seus carros (estacionamento).

Essas peculiaridades passam desapercebidas pra quem está na matrix. Jamais pra quem é de fora. Quantas pessoas não se sentiram constrangidas ao visitarem uma igreja e perceberem que o poder aquisitivo ali é alto, quando na verdade não é. Esse é o problema. Todos, inclusive os evangélicos tem direito ao que é bom, porém, tudo passa pelo crivo do que é conveniente ou não. Quando o relógio, o terno ou a gravata do pregador chamam mais atenção que a mensagem, alguma coisa está errada. Quando a aparência exposta no domingo à noite é desproporcional com a realidade de dentro de casa, alguma coisa está errada.

Enquanto se preocupavam  com o corte de cabelo e afinação de instrumentos, a Babilônia entrou na igreja e sentou nos primeiros lugares do culto... veja, na próxima postagem, porque o funk ostentação está mais próximo de você do que poderia imaginar...

Continua...



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