quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Funk Ostentação E Os Evangélicos | Mundo Gospel


Funk Ostentação: Um Espelho Que Reflete Você?


Mc Guimê, um dos ícones do funk ostentação. Faturamento mensal: R$500.000,00 

Ostentaçãosf (lat ostentatione1 Ato ou efeito de ostentar. 2 Alarde, exibição vaidosa, vanglória. 3 Aparato, luxo, magnificência, pompa (Dicionário Michaelis). 

Eis a essência do funk paulista que ganhou a grande mídia ao longo de 2013 sendo tema de vários programas televisivos. Jovens da capital, região metropolitana e baixada santista fizeram os clips das músicas atingirem mais de cinquenta milhões de visualizações. Carro importado, roupa de marca, mulheres e dinheiro, muito dinheiro, são mostrados como sendo uma virtude ou mais do que isso. Como dizem, não basta ter, tem que mostrar que tem!


Parece controverso o discurso vindo das camadas mais pobres da sociedade, porém, para os defensores soa como um protesto da periferia, quase que uma reivindicação ao que historicamente sempre fora impedida de possuir. Vale lembrar que os "mcs guimês" saíram de baixo pra cima. Não são uma figura caricata criada por uma gravadora multinacional ou um personagem de novela a ditar tendência. Talvez, por isso mesmo, o sucesso estrondoso que esses jovens saídos recentemente da adolescência estão fazendo. Eles são como que representantes da favela e suas aspirações a uma vida melhor. E mais, a concretização de inserção numa sociedade que mede cada um por aquilo que tem. 

A verdade é que essa hiper-valorização e incentivo ao consumo provoca estranheza e até repulsa, ainda nos tempos modernos. A indignação tem raiz diversa e pode ser questionável, pois há sempre rejeição àquilo que nos mostra o que temos de pior. É como demonstrar descontentamento com a queda de Adão sem pensar no que se teria feito ao estar no lugar dele. Será que faríamos tão diferente? Apontar sua fraqueza é mais fácil do que se enxergar nela. 

Então, o funk ostentação pode estar esfregando na cara da sociedade aquilo que realmente ela é. Aquilo que ela faz, a maneira como segrega, fatia as pessoas, põe cercas e elege seus heróis. Nas empresas, há diretoria, nas igrejas, o presbitério, nos bairros, a área nobre. O setor vip está em todo lugar e em todo lugar quem senta ali é tratado melhor. Pode ser num show, num jogo de futebol, num congresso de pastores. E quem senta ali não chega a pé, não usa perfume nacional nem compra roupa em lojas de conveniência. 

Trazendo para o metiê gospel, tirando a questão da mulher objeto, o funk ostentação canta o que todo evangélico quer. A diferença é colocar no vidro do carro "Foi deus quem me deu". É uma outra versão da mesma coisa. Todas as pessoas em algum momento de alguma maneira querem aquilo, seja crente ou não crente. Na próxima postagem, é possível concluir que a ostentação gospel exista antes mesmo do funk ostentação. Será?

Continua...


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