sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Evangélicos admitem racismo na igreja Batista e relação com o Nazismo





“Não podemos escamotear as manchas que marcaram a postura espiritual, ética e social da Igreja como foi o caso da escravatura, do racismo e da xenofobia, do apartheid e até do nazismo, e outras que ainda infelizmente marcam.”
“O livro de Philip Yancey “Alma Sobrevivente” da Editora Mundo Cristão denuncia alguns dos aspectos mais tenebrosos da história da Igreja, e o livro de Erwin Lutzer “A Cruz de Hitler”, da Editora Vida, dá-nos uma panorâmica histórica muito pertinente do que foi a conivência de alguns setores da igreja alemã protestante e católica durante o regime nazi, apontando alguns aspectos que nos dias de hoje devemos ter em consideração, para não tropeçarmos nos mesmos erros.”
“Frequentei duas igrejas durante a minha adolescência. A primeira, uma igreja batista com mais de mil membros, orgulhava-se de sua identidade de ‘uma igreja que ama a Bíblia e onde as pessoas são amáveis’, bem como do sustento de 105 missionários em outros países, cujos cartões eram afixados num enorme mapa que ficava na parte posterior do santuário. Essa igreja era uma das principais referências de famosos oradores evangélicos. Conheci a Bíblia ali. Ela não possuía um laço muito forte com a Convenção Batista do Sul, uma denominação formada em 1845, quando os abolicionistas do Norte decidiram que os donos de escravos não se encaixavam no perfil de um missionário, o que fez com que os sulistas se separassem em protesto. (…)” (p. 24)

 “A outra igreja que frequentei era menor, mais fundamentalista e mais abertamente racista (aquela a cujo sepultamento eu havia assistido).
Ali pude aprender a base teológica do racismo. O pastor ensinava que a palavra hebraica cam significa ‘queimado’, ‘preto’, fazendo do filho de Noé o pai de todas as raças negras. Numa maldição imprecada por Noé, Cam deveria ser o mais baixo dos servos (veja Gn 9:18-27).  
Era isso o que eu ouvia quando meu pastor explicava por que os negros eram bons garçons e as negras, boas empregadas domésticas. Ele imitava seus movimentos na plataforma, mexendo os quadris como se estivesse evitando uma mesa, fingindo agitar uma bandeja com comida acima de sua cabeça, e todos nós ríamos de suas brincadeiras. ‘Os garçons negros são bons nesta profissão porque este é o trabalho que lhes foi destinado por Deus por meio da maldição de Cam’, dizia ele. Ninguém se preocupava em destacar que a maldição fora pronunciada, na verdade, contra o neto de Noé, Canaã, e não contra Cam.” 

“Na mesma época, o Baptist Record, uma publicação do Estado do Mississippi, publicou um artigo que defendia a ideia de que Deus queria os brancos governando sobre os negros porque ‘uma raça cuja inteligência média beira a estupidez’ está obviamente ‘privada de qualquer bênção divina’. Se alguém questionasse essa doutrina claramente racista, os pastores saíam com o expediente infalível da miscigenação (mistura de raças), que alguns especulavam ser o pecado que havia levado Deus a destruir o mundo nos dias de Noé. A simples pergunta ‘você quer que sua filha traga para casa um namorado negro?’ silenciava todos os argumentos raciais.” (pp. 25,26)
“Em 1995, quase 150 anos depois de ter apoiado a escravidão, a Convenção Batista do Sul arrependeu-se formalmente de sua política de longo prazo de apoio ao racismo. Um pastor da Igreja Baptista Abissínia disse: ‘Finalmente, respondemos à carta de Martin Luther King Jr., enviada da prisão de Birminghan em 1963. Infelizmente, 30 anos depois’.”

“Até mesmo a grande igreja batista que frequentei durante a minha infância aprendeu a se arrepender. Quando fui a um culto, alguns anos atrás, fiquei chocado em ver apenas umas poucas centenas de adoradores espalhados pelo enorme santuário que, em minha infância, costumava abrigar mais de 1.500 pessoas. A igreja parecia amaldiçoada. Finalmente, um pastor que fora meu amigo de classe durante a infância tomou a iniciativa incomum de promover um culto de arrependimento.
Antes da realização do culto, ele escreveu para Tony Evans e para o professor da Escola Dominical que fora afastado, pedindo seu perdão. Então, publicamente, de maneira dolorosa, com a presença de líderes afro-americanos, ele recontou o pecado do racismo da maneira como era praticado por aquela igreja no passado. Ele se arrependeu e recebeu perdão. Apesar de ter-se a nítida sensação de que um fardo fora tirado da congregação naquele dia, isto não foi suficiente para salvar a igreja. Poucos anos depois, a congregação branca mudou-se para a periferia, e hoje, uma congregação afro-americana chamada Asas da Fé ocupa o prédio e faz tremer as janelas mais uma vez.” (pp. 40,41) 

“Contudo as fotos que chamaram minha atenção foram as que retratavam pastores protestantes e padres católicos prestando a saudação nazista. E o que me surpreendia ainda mais eram as fotos de bandeiras com a suástica enfeitando igrejas cristãs – flâmulas da suástica com a cruz de Cristo no centro!”
“Em pé, naquele museu, decidi-me a estudar como Hitler conquistara a simpatia da igreja cristã. Sabia que 95% do povo alemão era formado por protestantes ou católicos. Agora, só queria saber por que os cristãos da Alemanha não condenaram Hitler corajosamente e a uma só voz. Perguntava-me por que milhões de pessoas, de bom grado, tomaram a Hakenkreuz (cruz gamada ou quebrada) de Hitler, colocando sobre ela a cruz de nosso redentor crucificado. Somente mais tarde viria a compreender quanto essa confusão de cruzes iludiu a igreja alemã, atraindo o julgamento de Deus.” (pp. 14)”

Fonte: Portal 2ª Guerra




quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Golpe de 64: Assembléia de Deus Dá Vazão Nas Terra E Os Neopentecostais Agradecem





Meus comentários: acredito que se conhecermos o passado teremos melhor condição de compreendermos o presente e corrigirmos as ações para o futuro desejado. O texto abaixo é o trecho de um trabalho de pesquisa acadêmica, portanto, sem nenhum tipo de sarcasmo ou paixonite denominacional. Isso o torna ainda mais rico permitindo chegar a várias respostas para um tanto de porquês sobre o evangelicalismo moderno. Os grifos são meus.


O relacionamento dos evangélicos com a ditadura militar não pode ser descrito, simplesmente, pelo alinhamento e adesão, embora no conjunto tenham predominado estas posturas. Como a categoria evangélico abriga diferentes tradições, esta pluralidade também se manifestou na interface com o regime. Houve opositores conscientes, principalmente a minoria ligada ao movimento ecumênico e aos debates teológicos inspirados no pensamento europeu do após-guerra, bem como na teologia latino-americana, cuja vertente mais conhecida era a teologia da libertação. Não obstante, prevaleceu a influência poderosa da ideologia conservadora- fundamentalista e anticomunista, conforme descreveu Lyndon Santos:As igrejas evangélicas passaram a receber um tipo de pregação mais conservador e fundamentalista, oriundo das altas lideranças que apoiavam o regime. O ambiente eclesiástico reproduziu o que a sociedade vivia sob símbolos e discursos religiosos. Os evangélicos tornaram-se mais intolerantes com relação às diferenças, contradizendo sua herança de tolerância. Ser evangélico era possuir uma ética pessoal exemplar, estar preocupado com o comportamento e com a transmissão da experiência religiosa para os “perdidos”.

A “herança de tolerância” a que se refere Santos sempre esteve mais na idealização do que na realidade das denominações. As igrejas, que já antes não formavam cidadãos para os movimentos sociais, embora nos anos 60 houvesse discursos de incentivo ao engajamento em partidos e sindicatos, criaram um tipo de militância religiosa interna, a fim de prender os fiéis ao sagrado, reduzindo ao mínimo suas incursões no mundo social. Neste mesmo ambiente interno, tradições eclesiais de democracia formal eram mantidas: democracia direta, no caso das igrejas de organização congregacional, e indireta, nas igrejas governadas por presbitérios e similares. Estas práticas serviram, ainda que timidamente, para a capacitação política de evangélicos que se lançaram na vida pública, antes, durante e após o regime militar.

Santos sintetiza, simbolicamente, em três espaços, a trajetória política dos evangélicos, durante o regime militar: púlpito, praça e palanque. Do púlpito se afirmava, nos anos 70, que “crente deve votar no governo” e “crente não se mete em política”. A ênfase estava colocada na obediência às autoridades, conforme Romanos 13, e na frase de Jesus: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21), com a intenção de separar as esferas do político e do religioso. Para Santos: “Se quisermos encontrar alguns dos principais porta- vozes do regime militar no espaço e no tempo cotidianos do período pós-64, busquemos os milhares de pregadores dominicais”.E mais: “Não somente as prédicas noturnas, mas o ensino regular e sistematizado nas escolas dominicais e nos seminários teológicos, onde se formavam lideranças eclesiásticas, foi um dos instrumentos de reprodução de valores e idéias do regime”. O bipartidarismo imposto pelos militares calhava bem na mentalidade maniqueísta da maioria evangélica. Era fácil demonizar a oposição, agrupada no MDB (Movimento Democrático Brasileiro), e associar a prática da vontade divina aos que se organizavam na Arena (Aliança Renovadora Nacional), braço do governo militar.

Os evangélicos podiam ocupar a praça com desenvoltura, a fim de fazerem proselitismo, porque seus discursos religiosos favoreciam ao regime, mesmo quando não era esta a intenção. O uso de alto-falantes e a entrada em cena de novas emissoras de rádio-difusão, com espaços de programação para igrejas evangélicas, marcaram o período. Em décadas seguintes, com a pentecostalização de parte do protestantismo e o surgimento do neopentecostalismo, ocorreu o avanço para a mídia televisiva. Este era um caminho de evolução previsível. O uso destes meios poderosos de propaganda da fé contribuiu para a popularização de líderes evangélicos, facilitando o ingresso de alguns deles no campo político-eleitoral.

(...)

Campos desenvolve dois “tipos ideais” de políticos: os políticos evangélicos e os políticos de Cristo. Os primeiros inspiravam-se em idéias liberais dos norte-americanos e não eram, a rigor, portadores de uma utopia transformadora da sociedade. Estavam motivados por valores como liberdade de consciência e separação Igreja e Estado, bandeiras cuja defesa era necessária, por causa da influência muito forte da Igreja Católica no espaço público apesar da condição laica da República. Esses políticos, que surgiram principalmente a partir dos anos 1930, não representavam projetos corporativos de suas igrejas. Eram resultantes de iniciativas individuais e buscavam votos no público eva ngélico, apenas por pertencerem a esse ambiente. De fato, havia resistências, por parte das igrejas evangélicas, de se envolverem com política, seja partidária, sindical ou nos movimentos sociais em geral. Campos analisa as razões históricas e sociológicas dessa fuga às “coisas do mundo”, fruto de uma “teologia cansada de guerra”, que veio com a obra missionária norte-americana.

O outro tipo ideal, proposto por Campos, é o “político de Cristo”, cuja prática, “ao contrário da forma de atuar de muitos dos antigos ’políticos evangélicos’, não passa pela valorização do sistema partidário, nem pela defesa de ideologias políticas, propriamente ditas.”

A atuação deste novo agente, que iria se consolidar a partir do Congresso Constituinte de 1987-88, é pautada por demandas corporativas da denominação. São os objetivos da igreja, a serem alcançados no jogo de relações dentro dos aparelhos do Estado, que irão determinar definição de candidatos, escolha de partidos e estratégias eleitorais, para garantir a conquista da fatia desejada de poder, geralmente nos parlamentos, embora também não esteja descartada a disputa para cargos majoritários. Os candidatos podem estar distribuídos em diferentes partidos, pois é feita uma rigorosa análise das chances eleitorais, a partir de cálculos de quociente eleitoral. Portanto, a questão não é ideológica. Como destaca Campos:Os partidos ou programas não [...] fazem diferença alguma [para os candidatos], porque o essencial para eles é a manutenção do apoio da Igreja que o elegeu. Sem essa Igreja, ele nada é; perde a função de locutor, pois o discurso não lhe pertence; não passa de um mero ator coadjuvante, que participa de uma dramaturgia que não dirige; e recebe da instituição que o escolheu um script pronto para uma atuação fundamentada na plena, total e irrestrita obediência às autoridades religiosas. O “político de Cristo” é uma figura vazada, que somente a instituição, as massas ou as circunstâncias, podem preencher.

Durante o regime militar, houve repressão interna nas igrejas presbiterianas (do Brasil e Independente, ou seja, IPB e IPI) e nas igrejas da Convenção Batista Brasileira. Alguns membros foram delatados e entregues aos torturadores por seus próprios irmãos de fé. Pastores se tornaram alunos da Escola Superior de Guerra, como foram os casos de Nílson do Amaral Fanini, da convenção batista citada, e Firmino da Anunciação Gouveia presidente da Assembléia de Deus no Pará, para ficar em apenas dois exemplos, dentre muitos que constam nos arquivos da ESG e das ADESG. Em dissertação de mestrado foram registrados alguns fatos que indicaram a convivência amistosa da Assembléia com o regime.



A conquista do poder pelos militares foi festejada pela Assembléia de Deus como manifestação da providência de Deus, para evitar que o Brasil caísse nas garras do comunismo, comparado a um monstro que subjugava 900 milhões de pessoas no mundo, segundo o jornal Estandarte, de março-abril de 1964. Enquanto a Assembléia de Deus adquiria visibilidade e se credenciava como organização confiável para os militares no poder, as duas regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na Amazônia eram motivos de preocupação para essas autoridades castrenses, em razão das posturas críticas assumidas pelos bispos, diante do regime autoritário. A partir da gestão do Coronel Jarbas Passarinho no Ministério da Educação, a Assembléia de Deus voltou a receber subvenção do Estado, destinada à construção do seu instituto teológico. No período de 1970 a 1974, foram US$ 28,035.00 de doações dessa fonte, conforme atas administrativas da Igreja, do mesmo período. Com o trabalho do deputado estadual Antônio Teixeira e do federal Gabriel Hermes Filho, o Seminário Teológico da Assembléia de Deus, em Belém, foi considerado de utilidade pública, obtendo, assim, isenção de impostos. Enquanto a igreja recebia essas benesses e verbas do Estado, o jornal Estandarte, de fevereiro de 1970, verberava um editorial contra os pastores que se engajassem na política. Em 1982, foi a vez da Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) ajudar o Abrigo de Idosos “Etelvina Bloise”, com a quantia de US$ 2,913.00, a pedido do então senador Jarbas Passarinho. Em 1985, durante quatro meses, o pastor Firmino Gouveia participou de um curso na Escola Superior de Guerra, juntamente com outros líderes nacionais de denominações evangélicas brasileiras.

Algumas denominações tradicionais realizaram “limpezas” nos quadros docentes de suas instituições formadoras de pastores e, em situações extremas, decidiram fechar as portas das próprias instituições. Conforme relata Santos:As intervenções nas instituições teológicas funcionaram para expurgar lideranças que passaram a ser vistas como semeadoras de idéias modernistas, ecumênicas e comunistas. Foram também um meio de tornar seus ensinos afeitos aos interesses dos novos dirigentes denominacionais alinhados ao regime instaurado. A perseguição, a censura e o cerceamento da liberdade dos artistas e intelectuais, promovidos pelo regime ditatorial, tiveram seu equivalente nas instituições religiosas por iniciativa das ‘novas’ cúpulas de dirigentes eclesiásticos concordantes com o poder.

A tradição liberal de governo interno dessas igrejas do protestantismo histórico, que, a rigor, não era tão cultivada no dia a dia, ficou mais fragilizada, ao incorporar práticas autoritárias do regime. Jornais denominacionais ampliaram a censura ideológica que já praticavam, houve concentração de poder em lideranças intolerantes, além dos já citados episódios de fechamento de seminários e delação de líderes para os aparelhos de repressão. A coisa funcionou como se houvesse um caldo de cultura autoritário à espera de que se manifestasse um regime de mesma natureza para que fosse instaurada a intolerância, sem constrangimento e de modo ostensivo, nessas igrejas.

No sentido quantitativo, o regime fez bem a esse segmento religioso. Em 1970, os evangélicos totalizavam 4.833.106 de pessoas, ou 5,2 % da população brasileira. Em 1980, eram 7.885.650, correspondendo a 6,6 % do total, e em 1991, somavam 13.157.094, ou seja, 9,0 % da população. No caso dos pentecostais, o censo demográfico somente passou a dar tratamento específico a partir de 1980, quando foram registrados 3.863.320, portanto 3,2 % da população. Em 1991, eles alcançaram a marca de 8.768.929, equivalendo a 6,0 % do total de habitantes do País.

Pode-se afirmar que o campo religioso evangélico passou por mudanças irreversíveis ao conviver pacificamente com o regime militar. Santos considera que:A visibilidade numérica e a presença mais evidente na paisagem das cidades, a utilização de meios de comunicação como televisão e rádio, o potencial de votos nas eleições, a presença de políticos evangélicos nas instâncias do poder político, a força institucional das denominações e a ampliação de seus patrimônios – tudo isso produziu posições outrora não adotadas por parte dos evangélicos.”

---Fonte:
Saulo de Tarso Cerqueira Baptista: “CULTURA POLÍTICA BRASILEIRA, PRÁTICAS PENTECOSTAIS E NEOPENTECOSTAIS: A presença da Assembléia de Deus e da Igreja Universal do Reino de Deus no Congresso Nacional 1999-2006”. (Tese apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, como requisito para obtenção do grau de Doutor. Orientador: Professor Doutor Leonildo Silveira Campos). São Bernardo do Campo, 2007.

Trecho publicado na sua totalidade em IBA MENDES PESQUISA




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Vamos Ajudar O Jordy Do Morro Do Piolho (SP)?






Quem é Jordy? Sobrevivente do incêndio que destruiu parte do Morro do Piolho, Campo Belo, SP. Clique Aqui e saiba como em poucas horas mais de mil pessoas ficaram desabrigadas. Segundo programa A Liga da Tv Bandeirantes, dia 20/11/2012, algumas pessoas estão morando na rua próxima à localidade, enquanto outras estão numa quadra de escola de samba. Jordy sofreu graves queimaduras e precisa de ajuda para sua recuperação. Clique Aqui e saiba como ajudá-lo. Se você mora em SP, próximo ao Campo Belo, certamente pode ajudar ainda mais haja vista que as necessidades são diversas, pois o número de crianças desabrigadas é bastante grande.



Maçonaria. O que é?






Por: Pr. Ailton Evangelista da Costa


Foi há mais de quarenta anos. No decorrer de rituais, jurei que estaria disposto a ser degolado (grau de Aprendiz Maçom), a ter meu coração arrancado (grau de Companheiro) e minhas entranhas rasgadas (Mestre Maçom), se não cumprisse pela vida a fora o compromisso assumido de ser fiel à Fraternidade e guardar seus segredos.

Jesus disse que não devemos jurar nem pelo céu, nem pela terra, nem por nossa cabeça, mas que seja nosso não, não, e sim, sim (Mt 5.34-37; cf. Tg 5.12).

Com vinte e sete anos, entrei na Maçonaria por curiosidade, para conhecer verdades espirituais e filosóficas; aumentar meu círculo de amigos e me sentir mais seguro.

Talvez tenha sido a primeira vez que li o Salmo 133: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união”. É o que é lido na abertura dos trabalhos. “Sobre o `altar sagrado´ dos maçons é colocada uma “Bíblia”, um “Alcorão”, ou outro livro santo chamados de “Volume da Lei Sagrada”. Mas se os membros da Loja forem todos judeus, a Bíblia conterá apenas o Antigo Testamento. Na Maçonaria, a Bíblia é mais um apetrecho dentre outros símbolos, como o esquadro e o ramo de acácia.

Aqui começam as divergências entre Maçonaria e Cristianismo. De que irmãos a Palavra está falando? De irmãos maçônicos ou irmãos em Cristo? Na minha ignorância, entendia que a Bíblia me recomendava viver em união com os demais maçons. Depois compreendi que os verdadeiros irmãos são os que comungam da mesma fé cristã (Jo 1.12). Portanto, sob juramente, eu estava em estreita comunhão com pecadores confessos. Jurei defendê-los em qualquer circunstância.

A Maçonaria não faz restrições a quem queira ingressar nos seus quadros, desde que não seja ateu. Ela exige a crença na existência de um Ser Supremo, a quem o homem tem de prestar contas e de quem depende. Portanto, espíritas e feiticeiros podem ser maçons. Basta que acredite no “Grande Arquiteto do Universo”, o deus maçônico. Na minha cidade havia um influente maçom feiticeiro quer acreditava no Ser Supremo. Estive pessoalmente no seu terreiro, nos meus tempos de ignorância.

Os pactos feitos nos graus de aprendiz, companheiro e mestre – os únicos por que passei - talvez pareçam para alguns maçons um ritual simbólico, sem muita importância. Mas não é. A boca fala do que está cheio o coração (Lc 6.45). Há implicações e ressonâncias no mundo espiritual. Não cabe querer comparar a Maçonaria a uma empresa privada, em favor da qual se tenha que guardar alguns segredos profissionais. Não. A Maçonaria é uma religião. Tem seu deus, seus ritos, seus símbolos, códigos secretos e credo. E o cristão não pode servir a dois senhores, ter duas religiões.

No dia marcado para minha iniciação, fui visitado por dois maçons. Ao entrar no veículo, colocaram-me uma venda nos olhos. Antes de entrar na Loja, circulei alguns minutos pelas ruas da cidade. Permaneci assim, na escuridão, por mais ou menos duas horas. A venda foi retirada apenas por alguns momentos, para que eu assinasse alguns papéis e reafirmasse o desejo de ser maçom.

Chegou o momento. Entrei no salão. Conduziram-me pela mão para que eu circulasse de um lado para outro, passando por caminhos estreitos, tropeçando nas cadeiras. Quando tiraram a venda, dezenas de maçons apontavam para mim com suas espadas. O simbolismo traduzia que eu passara das trevas para a luz, e que os novos irmãos estariam prontos a me defender em qualquer situação.

A luz maçônica não melhorou em nada a minha vida espiritual. Encontrei a Luz verdadeira trinta anos depois, quando fiz uma confissão pública de entrega da minha vida ao Senhor Jesus. Devo esclarecer que antes mesmo da minha conversão, deixei de freqüentar a Maçonaria. Fiquei nela não mais do que uns dois anos. De fato, saí das trevas em que me encontrava. Com a mesma a boca com que jurei fidelidade à Maçonaria, confessei a Jesus Cristo, aceitando-O como meu Senhor e Salvador pessoal (Rm 10.9). Os pactos anteriores foram quebrados. Nasci de novo.

A prática maçônica - ritos, simbolos e doutrina – é incompatível com a prática cristã. É o que me proponho a examinar.

A Maçonaria é conceituada como uma religião: “Todos (maçons) concordam em declarar que ela é um sistema ético, mediante cuja prática os seus membros podem progredir em seu interesse espiritual, subindo a escada teológica da Loja na terra para a Loja no céu” (01). Vejam: “Seguir a escada teológica da Loja” para entrar no céu. O Caminho do cristão é outro (Jo 14.6). Não há como servir à Loja e servir a Cristo ao mesmo tempo. O cristão precisa permanecer fiel a Jesus (Jo 15.4-5).

A salvação na Maçonaria dá-se pelas obras: “O Olho-que-Tudo- Vê (Deus)... contempla os recessos mais íntimos do coração humano, e irá recompensar- nos conforme as nossas obras”. As obras são necessárias à vida eterna na “Loja Celestial” (02).

A doutrina maçônica nega a salvação pela graciosa provisão de Deus através de Jesus Cristo (Ef 1.2-9).

A teologia maçônica “ensina claramente durante o grau do Arco Real (Rito de York), quando diz a cada candidato que o nome perdido de Deus será agora revelado a ele. O nome dado é Jabulom. Este é um termo composto, juntando Jeová com dois deuses pagãos – Baal, a entidade maligna dos cananeus (Jr 19.5; Jz 3.7; 10.6), e o deus egípcio Osíris” (03).

“Autoridades maçônicas como Coil e o Ritual e Monitor Maçônico Padrão admitem que “Bul” ou “Bel” se refere à divindade cananéia ou assíria Baal, e que “On” se reporta à divindade egípcia Osíris. Wagner revela o objetivo maçônico nessa trindade pagã:

“Neste nome composto é feita uma tentativa de mostrar, mediante uma coordenação de nomes divinos... a unidade, identidade e harmonia das idéias hebraicas, assírias e egípcias sobre deus, e a harmonia da religião do Arco Real com essas religiões antigas. Esta “unidade de Deus” maçônica é peculiar. A doutrina ensina que os nomes diferentes dos deuses, como Brahma, Jeová, Baal, Bel, Om, On, etc. denotam o princípio gerador, e que todas as religiões são essencialmente as mesmas em sujas idéias do divino” (04).

A Bíblia diz: “Não terás outros deuses diante de mim... Não as adorarás, nem lhes darás culto...” (Ex 20.3,5). Leiam a advertência bíblica: “Desprezaram todos os mandamentos do Senhor... e serviram a Baal” (2 Rs 17.16). A unidade do Deus bíblico está no Pai, e no Filho e no Espírito Santo.

A doutrina maçônica diz que o candidato passou “este longo tempo na escuridão e agora busca ser levado para a luz”. Está no Ritual do primeiro grau. Como um filho de Deus, nova criatura em Cristo Jesus , pode aceitar tal doutrina? Somos “a luz do mundo e o sal da terra” (Mt 5.13-14). Vejam:

“Pois outrora éreis trevas, porém agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5.8). Ao se tornar maçom, o cristão declara que estava nas trevas.

Prossegue a teologia maçônica:


“A maçonaria aceita e ensina que com tudo e acima de tudo está Deus, mas não essencialmente o Deus cristão trino. O maçom pode chamá-lo (Deus) como quiser, pensar nEle segundo o seu desejo; considera-lo uma lei impessoal ou pessoal e antropomórfica; a maçonaria não se importa com isso... Deus, Grande Arquiteto do Universo, Grande Artífice, Grão-Mestre da Grande Loja do Céu, Jeová, Alá, Buda, Brahma, Vishnu, Siva, ou Grande Geômetra...” (05)


A Maçonaria, como vimos, nega a divindade de Jesus Cristo e do Espírito Santo. Aliás, o Senhor Jesus nem sequer é mencionado nos rituais. O importante Ritual Maçônico chamado de Ritual da Quinta-Feira Santa do capítulo Rosa-Cruzes declara oficialmente: “Nos reunimos neste dia para celebrar a morte de Jesus, não como inspirado ou divino, pois não nos cabe decidir sobre isso” (06). Bastaria isso para que o verdadeiro crente levante a sua voz desassombrada e diga “NÃO, não aceito. Se os senhores não decidem, eu já decidi servir ao Deus verdadeiro, não a uma composição de deuses pagãos”. Por isso, Cristianismo e Maçonaria são irreconciliáveis.

O que representa a Bíblia para os maçons? “A opinião maçônica predominante é que a Bíblia não passa de um símbolo da Vontade, Lei ou Revelação divina, e não que o seu conteúdo seja a Lei Divina, inspirada ou revelada. Até agora, nenhuma autoridade responsável afirmou que o maçom deve crer na Bíblia ou em qualquer parte dela” (06). E mais: “Os livros sagrados de outras crenças são igualmente válidas para o maçom” (07).

O apóstolo Paulo disse que “toda Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3.16).

Muitos, como eu, se tornam maçons antes de conhecer a Cristo. Agora, como cristãos, precisam renunciar à fé maçônica e quebrar o juramento feito. Vejam:

“Quando alguma pessoa jurar, pronunciando temerariamente com os seus lábios, para fazer o mal, ou para fazer o bem, em tudo o que o homem pronuncia temerariamente com juramente, e lhe for oculto, e o souber depois, culpado será numa destas coisas. Será, pois, que, culpado sendo numa destas coisas, confessará aquilo em que pecou” (Lv 5.4-5; cf. Pv 28.13; Tg 5.16; 1 Jo 1.9).


Referências:

01) Enciclopédia Revisada da Maçonaria (Revised Encyclopedia of Freemasonry) de Albert G. Mackey, cf. “Os Fatos Sobre a Maçonaria”, de John Ankerberg e John Weldon, 1995, p. 12).
02) Ritual dos três primeiros graus; Ritual e Monitor Maçônico. “Os Fatos...” p.22.
03) “Os Fatos...”, p. 27).
04) Ibidem, p.51.
05) “The Idea of God in Masonry” (A Idéia de Deus na Maçonaria), citado na revista maçônica The New Age (A Nova Era), nas pgs. 269ss, citado em “Os Fatos...”, pg. 53).
06) Enciclopédia Maçônica de Coil (Coil´sMasonic Encyclopedia, citada em “Os Fatos...”, p. 59.
07) A Revised Encyclopedia of Feemasonry (Enciclopédia Revisada da Maçonaria), de Mackey, cf. “Os Fatos...”, p. 59-60


Meus comentários: de tudo que já li até hoje, essas palavras me parecem as mais confiáveis.



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A Biografia De Martin Luther King





CLIQUE AQUI e leia a edição especial da Revista Veja, abril de 1968, sobre o assassinato do pastor Martin Luther King.

"Exatamente dois meses antes de sua morte, no dia 4 de fevereiro, no púlpito da Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta, Martin Luther King Jr. fez um sermão revelando o que gostaria que fosse dito a seu respeito no próprio funeral. Nele, o pastor pediu que não se mencionasse seu Prêmio Nobel da Paz, recebido em 1964, ou nenhuma das outras 300 ou 400 honrarias que recebeu ao longo de sua trajetória. O líder negro ainda especificou para que não fosse citado em que escola ou faculdade ele se formou. King queria apenas que se dissesse que ele tentou sempre estar certo nas questões da guerra. Que buscou alimentar os famintos, vestir os pobres, visitar os presos, amar e servir a humanidade".



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Stephen Covey Sobre O Ativismo Na Igreja





Acredito que pessoas seriamente envolvidas com qualquer crença admitirão que ir à igreja não é sinônimo de espiritualidade interior. Existem pessoas que se ocupam tanto com rezas e projetos da igreja que ficam insensíveis para as necessidades humanas prementes que as rodeiam, contradizendo os próprios preceitos em que dizem acreditar tão profundamente. Existem outros que comparecem à igreja com menos freqüência, ou nem aparecem, cujas atitudes refletem um centro mais genuíno, apoiado na ética judaico-cristã básica. 


Tendo participado a vida inteira das atividades organizadas por minha igreja e de grupos de auxílio comunitário, concluí  que freqüentar a igreja não equivale necessariamente a viver os princípios ensinados nas reuniões. A pessoa pode ser ativa na igreja, mas passiva quanto ao evangelho. Na vida centrada na igreja a imagem ou aparência pode se tornar a preocupação dominante para a pessoa, conduzindo a uma hipocrisia que mina a segurança pessoal e o valor intrínseco. A orientação vem da consciência social, e a pessoa centrada na igreja tende a rotular artificialmente os outros, com termos como "ativo", "inativo", "liberal", "ortodoxo" ou "conservador". 

Uma vez que a Igreja é uma instituição composta por políticas, programas, práticas e pessoas, ela não pôde, por si, dar a uma pessoa uma segurança profunda, permanente, ou senso de valor intrínseco. Viver os princípios pregados pela Igreja pode fazer isso, mas a instituição apenas não. Tampouco pode a Igreja dar a uma pessoa um senso constante de orientação. As pessoas centradas na igreja habitualmente tendem a viver em compartimentos, agindo, pensando e sentindo de determinado modo no Sabbath e  de outro nos dias comuns. Esta falta de integridade, unidade ou conjunto é uma ameaça suplementar à segurança, criando a necessidade de novos estereótipos e justificativas.

Ver a Igreja como um fim, em vez de considerá-la um meio para se atingir um fim prejudica a sabedoria e o senso de equilíbrio da pessoa. Apesar de a Igreja dizer que ensina às pessoas qual é a fonte do poder, nem a própria Igreja afirma que ela é o próprio poder. Ela se considera um veículo através do qual o poder divino pode ser canalizado para a natureza humana.

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Trecho do livro "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes" de Stephen Covey, Editora Best Seller, 27ª edição, 2006.



domingo, 11 de novembro de 2012

O Capitão-do-mato de Ontem e de Hoje



Mais uma vez, no mês passado, tive o privilégio de visitar uma fazenda histórica da época do Brasil colônia. Realmente, uma experiência magnífica, estar num lugar onde existe tanta representatividade de cada detalhe. Lá pelas tantas, entre uma xícara e outra, eu, minha esposa e um grande amigo conversávamos a respeito dos escravos. Eu, inquieto, fiquei passando os olhos pelas campinas ao redor imaginando uma rota de fuga para o quilombo mais próximo. Nisso, fui alertado de que especificamente ali seria improvável qualquer tipo de reação por causa da geografia e, quando acontecia, era tímida por parte de uns poucos escravos.

Sim, sabe-se que os índios preferiram morrer a se deixar escravizar e, por isso, foram considerados pelos portugueses como sendo difíceis de "domesticar". É inegável lendo os livros de História perceber que boa parte dos negros escravizados preferiram se manter nessa condição do que arriscar-se ao desconhecido. Difícil dizer se era o que realmente acontecia. Por outro lado, se existiam os acomodados por opção, uma figura lamentável aterrorizava e trabalha com afinco para isso: o capitão-do-mato. Um escravo vendido não por um senhor do café, mas por si mesmo. Vendido na alma. Morto em seus princípios, se é que tinha algum.

Curioso, foi falar dele e começar a lembrar de... e de... iiih! Deixa quieto! Põe mais café na xícara. Porque mesmo numa sociedade livre capitães-do-mato estão espalhados pela multidão pronto para matar o seu irmão. Matar aquele com quem se alegrava e sonhava junto. Por 30 moedas de prata. Por uma promoção no trabalho. Ver um irmão sendo assassinado aos seus pés e nada fazer como Saulo de Tarso no episódio de Estevão. Incrível essa questão, como marmanjos, pais de família se submetem às piores tretas em nome de sei lá o quê. Difícil pensar como olham seus filhos e o que lhes ensinam sobre moral, ética e princípios.

O problema é que sempre existiu e sempre existirá. Trairagem, crocodilagem ou dê o nome que for aí onde você mora. Irmãozinho cheio de querer ser, pronto pra garfar e usar suas costas de degrau. Ele quer o que você tem, ele queria ser você, meu véio. É por isso que não dá para aliviar e achar que é o barão quem faz o capitã-do-mato porque não é. O capitão-do-mato é quem faz a si mesmo. Ele é isso aí. O bom moço, o aceitável com seus elogios regados a sangue inocente.

Põe mais café na xícara. Porque quem fere pela espada, pela espada cairá. Não precisa ficar em dúvida, pedir revelação para Deus. Basta comparar o capitão-do-mato de ontem e o de hoje. Semelhanças nas atitudes e circunstâncias não deixam dúvida. Melhor é deixar essa alma perdida se encontrar primeiro consigo mesmo antes de encontrar Jesus. ELE sabe como lidar. Você pode descansar. E continuar a sonhar porque sonho que se sonha só é apenas um sonho, mas sonho que se sonha junto é realidade. Vão sempre existir em qualquer lugar os que promoverão a resistência através do amor. Cuide disso, pois, dos demais cuidará o Senhor!

Permaneçamos firmes!


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Uma Palavra Sábia Do Dr. Gori







Assistindo pelo enésima vez os últimos momentos do último episódio da série Spectroman (a ser lembrada por quem tem pelo menos 30 anos de idade), tive um start diante da brilhante frase do Dr. Gori: não se ensina coisas novas a um macaco velho. Que coisa tremenda! Quanta sabedoria! Uma verdade prática inserida num contexto de ficção, mas apesar disso totalmente aplicável nos nossos dias.

Afinal, esse é o motivo porque tantos irmãos têm dificuldade quando se fala de treinamento. Quando se fala de inovação. Quando se fala de mudança de paradigmas.  Macaco velho tem alergia à criatividade. Para tal, sugestão e insubmissão são a mesma coisa. Afinal "sempre foi assim", mudar pra quê? Acomodação, ignorância ou sei lá o que. Só sei que pessoas têm deixado de ouvir a mensagem do evangelho por causa dos que são mais apegados à forma do que ao conteúdo.

Macaco velho é velho não pelo tempo, mas pela mentalidade tacanha. Sua idolatria o cega, ensurdece e atrapalha especialmente os que desejam aprender. São aqueles que já chegam mostrando suas credenciais, "é que eu tenho 12 anos de missionária", putz! Um apego à determinada maneira de se fazer as coisas deixa em dúvida que nome há de ser glorificado. Se alguém fala mais dos seus feitos do que de outros e conjuga demais o verbo "eu", fique alerta. Macaco velho por perto!

Nisso aí nem vem dizer que os opostos se atraem, porque não se atraem mesmo. Daí, cada um, cada um, melhor assim. Porque do contrário sua mente atrofia e o espírito asfixia. Para os porcos, lavagem e não pérolas. Sem estresse ou dedo em riste. Sem força nem violência. Saliva desperdiçada seca a garganta. Percebe?

Certa vez, conheci um jovem macaco velho. A mãe dele lhe disse: se não quer aprender com sua mãe, a vida ensina. Pouco mais de uma semana depois, ele foi assassinado, vários tiros à queima roupa. Nunca mais me esqueci disso. Compreendi que há diversas maneiras para um aprendizado e um ensino evitado está  mais para cilada do que perspicácia. 

Macaco velho por perto? Deixa quieto. Se ele não quer aprender com você, a vida ensina.

Permaneçamos firmes!