sábado, 28 de julho de 2012

A Fé Não Pede Respostas - Como Ajudar Um Enlutado.


A menina Bruna da Silva Ribeiro, 11, morreu por volta das 21h30 no hospital estadual Carlos Chagas, no Rio. Ela foi baleada no abdome durante uma operação do Bope (Batalhão de Operações Especiais) realizada nesta sexta-feira (27) na comunidade da Quitandinha, em Costa Barros, zona norte do Rio. Para ler a reportagem completa, Clique Aqui.

Por que, meu Deus, por que? Desespero. Não era isso que os pais sonharam para sua filha. Quem poderia apaziguar a dor com a resposta para essa pergunta imediata diante de tal notícia? De nada adiantam os conceitos sobre os atributos de Deus nem de Sua justiça. Mais do que resposta, a necessidade é de consolação e compainha. Ombro amigo para poder chorar e chorar até secar, porque não há o que faça a lágrima cessar. Nem o tempo e muito menos conhecimento.

Nessas ocasiões, são comuns tentativas frustradas de palavras tímidas que afirmam Deus saber de todas as coisas. E? Não resolve nada. Por que, meu Deus, por que? Quer saber mesmo? "Eu não sei" é a resposta mais digna para a família. Não há o que falar, nem há porque se envergonhar por não ser capaz de dar todas as respostas. A fé não requer isso de você, nem de mim. Fé é entre outras coisas submissão e se fosse explicada por raciocínios coerentes não seria fé.

Tente você responder a pergunta. Diga aos pais que a menina foi morta nesta vida, porque na vida passada [?] foi uma assassina sanguinária e, por isso, teve que pagar. Vai lá, véio, tenta a sorte! Adiantaria de alguma coisa para quem acordou hoje de manhã sem o barulho de Bruna fazendo bagunça pela casa? Então, pare de perder tempo com questões que só trazem dissensões. Pratique a fé que como a paz que Cristo dá excede todo o entendimento racional. O que é revelado é para o homem, mas as coisas ocultas são para Deus (Dt 29.29).

Logo, a fé e a tristeza podem caminhar juntas? Como pessoas traumatizadas podem voltar a crer? Podem através da manifestação dos filhos de Deus, da fé menos teórica e mais prática, vista, paupada, percebida. Não adianta apontar o caminho, é preciso caminhar junto. Se quem é cheio do Espírito Santo não abrir mão de seu tempo para estar ao lado chorando com os que choram, então, como já disse Cazuza, suas idéias não correspondem aos fatos. Eu não preciso de todas as respostas, nem a família da Bruna, nem ninguém. Precisamos de fé manifestada por meio de obras não apenas de caridade, mas sim, e principalmente, das mesmas que Jesus Cristo praticou. 

Chegar junto, estar disponível e solicito, não apenas agora, mas, daqui a três, seis meses, um ano, depois que cada um já está tocando sua vida e para a família parece que foi ontem. Fazer ouvir o seu silêncio e sentido o seu abraço. São gestos, não respostas, que exalam o amor de Cristo, que devolvem a esperança e por fim a fé em saber que existe sim um lugar preparado onde não haverá mais lágrimas. Elas estão com seus dias contados. Pode acreditar que sim!

Permaneçamos firmes!

Foto: Jucemir Ferreira

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2 comentários:

  1. Excelente artigo! Creio ser uma armadilha viver tentando encontrar todas as respostas. Me interessei em ler o post pelo título, já que, estou com um tio muito querido desenganado pelo médicos e estarei indo visitá-lo no próximo sábado. Eu já estou me perguntando o quê dizer, como agir diante dele.
    Como se deve olhar para alguém que está às portas da morte?

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  2. Véi, pensando que pode ser a nossa última chance: a minha última chance de falar do amor de Cristo e a última chance dele de ouvir.

    Meu sogro faleceu no início do ano. Recebi um telefonema da minha esposa pedindo para ir lá visitá-lo, uns 15 dias antes. Não tenho vocação para capelania, mas fui me perguntando o mesmo que vc. Confesso que antes de ir, li alguma coisa em 2 sites de ministérios de capelãos, o que não falar etc.

    Chegando lá, 30 minutos no quarto e nada. A gente não tinha mt intimidade, mt contato. Eu dentro de mim imaginando que se não falasse alguma coisa, eu mesmo não me perdoaria. Como um arroto... saiu: vc já se perguntou o porquê de estar aqui e o porquê disso tudo?

    Foi a deixa que eu precisava. Dali pude compartilhar minha experiência com um problema de coluna que tive e o que mudou em mim depois disso, qd por semanas não suportava ficar em pé nem sentado. Em pouco mais de 20 minutos, cativei-o a pensar e a chamar Deus na "chincha". Ver qual é. A semente plantada, brotou alguns dias depois qd num apelo ele fez a oração confessando Jesus como único e suficiente salvador.

    Enfim, eu fui meio que pego de surpresa. Ore a Deus para fazer o que tem que ser feito. Se apelo, apelo. Se apenas um papo, um papo. Mas, que seja reto e não deixe de falar sobre a Eternidade. Certamente os ouvidos dele estão acurados para isso! O tempo urge!

    Oremos!

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