domingo, 21 de fevereiro de 2010

Carência afetiva: isto é um assalto! - parte 2



Qualquer tipo de mudança requer uma adaptação. Uma pessoa, que me corrijam os brasileiros residentes no exterior, ao chegar num lugar diferente, precisa e se esforça para se acostumar ao novo. Outra cultura, outros costumes, outra culinária, outra língua. Logicamente que ninguém, de uma hora para a outra, largará seus valores e hábitos e os substituirá por outros. Por outro lado, é questão de sobrevivência assimilar as novidades e buscar entendimento sobre a realidade que agora o cerca. Esta é mais uma questão que alimenta o problema da carência afetiva: uma questão de entendimento.

Na conversão, não fica latente a necessidade de se adaptar ao novo de maneira tão proeminente quanto na residência no exterior. Salvo as denominações cujos hábitos e costumes são fortemente exaltados, uma pessoa que se converte, em geral, ainda está no seu habitat, morando no mesmo lugar, estudando na mesma universidade, conhecendo as mesmas pessoas. A primeira mudança se dá no plano espiritual e, talvez por isso, algo muito abstrato ainda para uma recém nova criatura, a busca por adaptação e entendimento não urjam. Infelizmente, passam-se os dias, meses e até anos e há quem consiga permanecer na terrível falta de conhecimento, a mesma combatida pelo Senhor Jesus. Sobre o que, então, faz-se tão necessário buscar entendimento?


Uma Questão de Entendimento Sobre o Reino


Se a questão de entendimento ou falta dele corrobora para esse problema crônico de carência afetiva, a falta de noção acerca da dinâmica do Reino de Deus é a gênesis de uma inoperância espiritual. Como foi dito acima, tudo parece muito complexo, abstrato e distante para um cristão do século XXI, afinal, toda esta história de reino lembra mais as aulas do tempo de escola do que algo prático e concreto. Só que é exatamente nisto que somos inseridos. Vivemos num Estado republicano (pelo menos a grande maioria da população), porém, temos que nos comportar como e zelar segundo princípios monárquicos, onde a Um devemos a honra, a glória, o temor, "tributos" e total controle de nossas próprias vidas. Esquisito? Muito, pelo menos à primeira vista. Eu diria que é até anti-evangelístico... imagina oferecer a alguém um estilo de vida em que ela não opina mais sobre seu próprio destino e ainda deve obediência a Deus e consequentemente às autoridades por Ele constituída e consequentemente aos pais, aos pastores, aos que constituem o corpo eclesiástico, aos governantes, aos chefes, aos professores, etc, etc, etc. Olha só que coisa mais underground! É uma anti-cultura que não atrai ninguém porque o mundo adota o carpem diem, viva e deixe viver... importa só você e mais nada.

Doa a quem doer, nos céus existe um Reino e é assim que é. Quando o mundanismo entrou na igreja, não foi pela adoção de bateria e guitarra nos louvores ou de palmas na adoração, não. Aconteceu quando resolveram personalizar a mensagem da Bíblia retirando o seu impacto e escandâlo provocativo ao arrependimento. Adotaram um sistema de mensagens em que Deus é apresentado como amigo fiel, paizinho e, às vezes, até avô. Deus é sim nosso maior amigo, nosso Pai celestial, mas, foi, é e sempre será Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Perceba a confusão que geraram na mente de milhares de jovens e adolescentes na tentativa de atraí-los e fazer a reunião da juventude "bombar". Como assim esperar em Deus por alguém? Como assim buscar primeiro o Reino e a sua justiça se eu preciso de alguém do meu lado para me acompanhar quando eu sair com a galera? Como assim geral casando e eu ficando para trás? Como assim todo mundo na igreja brincando porque ainda sou solteira? Como assim eu tenho que falar com o pastor para namorar? Como assim esse papo de submissão e direcionamento? Como assim eu não posso namorar alguém do mundo? Como assim não poder ficar? E se Deus é mesmo meu amigo, se eu tiver uma quedinha ele vai "quebrar essa pra mim". E se Deus é amor, "ele entende, né?". E se Deus é meu paizinho... posso bater o pé, posso bater boca com ele, posso falar de igual para igual, será que ele não tá vendo que eu tô sozinho? Na época do mundo eu tinha várias, se ele não quer que eu peque porque não manda alguém logo para eu casar????

Eis o fruto colhido por pregações mais divertidas e amenas. Se bem que já ouvi diversas pregações ilárias acompanhadas de uma espada que dividia a alma do espírito. Tudo se resume à pregação do evangelho do Reino. João Batista pregava este evangelho e Jesus também. A Igreja Primitiva "bombou" pregando este evangelho. Daí o homem com suas invencionices resolve ajudar a Deus e mudar / acrescentar com seu fermento. Assim segue a igreja contemporânea, milagrosamente com convertidos apesar de todo o engodo, formando os que nascem, crescem, permanecem e duplicam a falta de entendimento acerca da dinâmica do Reino. São os que dizem para tudo "é assim mesmo...". Num ambiente de trabalho, manda quem pode e obedece quem tem juízo, dizem por aí. Quando se chega no Reino de Deus, bem... nem se sabe que se está num Reino. Qualquer gladiador medieval poderia ensinar sobre fidelidade e compreensão daquele a quem se serve. Enfim...

Se você acabou de chegar no Reino de Deus ou já está algum tempo nele, pense sobre o nível de compreensão que você tem acerca dos mandamentos, dos estatutos, dos princípios e da dinâmica deste Reino. A Bíblia diz que não há quem entenda, não há quem busque. Ela aponta para a importância não somente da leitura, mas, de uma verdadeira pesquisa sobre o real significado dos ensinamentos e subsequente aplicação dos mesmos. Só assim o sal será salgado! Só assim menos tempo será desperdiçado com vãos questionamentos, com negociações, desânimo e mornidão espiritual.

Qualquer um pode adentrar num Reino com hábitos republicanos de democracia. Qualquer um pode permanecer no Reino preservando seus hábitos republicanos de democracia. O resultado de tudo isso será sabido diante do grande trono branco!

Pense nisso.




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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carência afetiva: isto é um assalto - parte 1


Quem sabe não é no retiro que chega o teu varão, ou a tua varoa (ou a tua vareta)?. Ao que parece nada tem mais ibope do que a questão sentimental abordada nas rodinhas do pátio da igreja. Sempre surge uma brincadeira ou outra a este respeito, principalmente com aqueles que estão sem ninguém. Pretendo abordar seguidamente os diversos problemas relacionados à carência afetiva porque grande tem sido o seu estrago no meio da juventude. O que chama atenção é que isto não é privilégio das irmãs, pois, é espantoso o número de irmãos que se queixam de solidão... tô calente! Faz-se oportuno uma abordagem sistêmica visando aquilo que Paulo reafirmou estar em falta: entendimento.


Um problema de paixão

Jesus disse que quem mais é perdoado, mais ama, numa demonstração óbvia de que é possível haver maior ou menor intensidade no relacionamento com ele. Alguns novos convertidos (e velhos também) estão imbuídos de uma porção de coisas, momento em que a guerra entre carne e espírito se intensifica. Ao mesmo tempo que deseja o espiritual, deseja dar um jeito em suas pendências carnais. Vence quem tem a prioridade, quem, mesmo inconscientemente, tem a preferência, quem recebe mais paixão. É difícil alguém confessar que quer mais se dar bem do que essa coisa de buscar o Reino de Deus e sua justiça e etc. Na argumentação seguida de um tal comportamento isto fica visível. Não adianta disfarçar.

Alguns partem para o método tentativa-erro-tentativa numa mover intercessório do tipo orai também... sem olhar a quem. O que é isso? Nem sempre pouca-vergonha, não mesmo. É um problema de paixão. O fogo ardente que queima por dentro não queima por Cristo (ou até queima... só um pouquinho). O que faz os olhos brilharem e nascer um suspiro no peito não é o Noivo, mas um noivo. Sim. Alguém natural com quem se deseja compartilhar os dias sobre a terra. Isto sim mexe com a alma e com o espírito, isto impulsiona orações e súplicas no quarto em secreto, isto preenche os inúmeros pedidos de oração e as conversas no msn. Não Jesus.

E
ste é o problema de inúmeros jovens que não têm Jesus como o centro de suas vidas. Não foi Ele quem disse que a boca fala do que o coração está cheio? Idem para aquilo que os dedos teclam. Compare. Meça. Analise com sinceridade e conclua sobre aquilo que toma os teus anelos mais profundos. Uma chamada ministerial ou uma chamada marital? Tudo se resume a uma questão de prioridades e prioridades são estabelecidas por uma questão de paixão! Não vá ao retiro para se dar bem, nem a qualquer outro tipo de evento! Não perca o seu tempo preenchendo cadastros em sites de encontro cristão ou ligando para o correio gospel...
sou morena, 1,68, olhos castanhos... mas que porcaria é esta? Aonde você vai parar?! Ah, mas, conheço um que se casou assim... Tá bom, mas quantos quebraram a cara e conseguiram mais uma decepção para a sua coleção?! Ora, ora... não desperdice a sua juventude. Não desperdice os seus dias.

Q
uisera Deus ser o foco de tamanha atenção e esforço. Quando a alegria da salvação preenche um coração, a fé é o trinco que fecha a janela por onde entra o ladrão. Cuide para não ser roubado.


P
ense nisso.



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*Logo ali, à direita, 3 enquetes para melhorar o blog. Quais serão as suas respostas?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Retiro de Carnaval: uma palavra para o novo convertido!


Nesta época do ano, próxima ao carnaval, é comum um tema permear os debates radiofônicos das rádios gospel: retiro ou não retiro, o que fazer? Existem os que defendem com unhas e dentes a sua realização e os que são contra porque, neste exato momento, a igreja deveria "ficar e guerrear contra o mal". Qual será a melhor coisa a se fazer?

Se desejarmos enxergar sob a ótica de guerra, somos obrigados a levar em conta todas as variáveis que ela envolve. Todo exército possui uma tática e seus pelotões, cada qual com uma tarefa bem definida. Desta maneira, pensemos se vale mandar um recruta logo para a linha de frente em sua primeira jornada. Será o mais sábio a se fazer? Ouvi muitas vezes de um líder evangélico bem conhecido que uma pessoa não pode fazer em quatro dias o que não consegue fazer nos trezentos e sessenta e um restantes. Não adianta ficar isolado no retiro, numa pseudo-santidade e, quando voltar, retornar para sua vidinha de pecados. É um pensamento válido, sem dúvida, porém, se considerarmos a situação de alguém recém-convertido que era um folião inveterado, concluímos que só o fato de estar longe de tudo que lembra suas velhas práticas já é algo positivo. Agora e para sempre. Talvez este irmão(ã) tenha que se manter longe de tudo que se refira a samba e etc. até a volta de Jesus. Assim se manterá de pé e conservará a si mesmo.

Eu sei, já ouvi também cada coisa sobre retiros de carnaval... faria inveja a qualquer folião. Ficar quatro ou cinco dias num sítio não santifica ninguém. Se alguém lá peca, põe para fora aquilo que já tinha dentro de si e escondia inclusive dele mesmo. Este pode ser o tempo para uma conversa informal com a liderança, às vezes quase tão solicitada que fica difícil conversar noutras épocas. Tempo para conhecer mais as ovelhas. Tempo de convivência e por que não, diversão! Sim, ali num ambiente de pessoas que têm os mesmos interesses e a mesma cultura espiritual. Cabe a cada um, guardar-se para não desperdiçar seu tempo apenas com o que é vão. Para um novo convertido, tudo é tão novo e não há como ele ficar pensando nos antigos carnavais...

Lembro do meu primeiro, já convertido. Nem tenho vocação a super-herói e confesso que, em casa por não haver retiros onde me converti, ao ouvir o som da bateria de um bloco, aquele som bem distante, minha carne se assanhou. Senti vontade de ir ver os caras da turma de bate-bola (mais de cinquenta calçados com tênis importado e vestidos com fantasia personalizada de custo superior a R$500,00). Fiquei curioso. Lembrei de anos anteriores, divaguei... ainda assim, não cedi, não pus a cara na janela, não liguei a tv para assistir os desfiles nem tampouco a apuração. Ao final dela... após longo jejum a escola de samba do município onde eu morava foi campeã. Só porque eu me converti, que vacilo! eu pensei...

Hoje, minha carne não grita mais, mas quer saber... não evangelizaria como fazem alguns irmãos. Glorifico a Deus por suas vidas, verdadeiros infantes que partem para cima e vivem experiências tremendas, segundo alguns relatos. Não é para qualquer um. Tem que ter chamado. Tem que ter preparo. Tem que ter consciência se lhe é conveniente ou não. Este é o "x" da questão. Se não tem retiro e a igreja fica fechada, fazer o que com os jovens e adolescentes? Convém o novato viajar para a casa do tio dele, na região praiana? Recém-nascidos inspiram maiores cuidados!

Se houver retiro em sua igreja, vá. Aproveite. Divirta-se. Clame. Procure fazer aliados de verdade. Se não houver, fique em contato com a galera da igreja. Permaneçam juntos, na igreja, ou se não tiver culto, na casa de um irmão, mas não se exponha nem fique só. Só, mesmo acompanhado, porque não faz sentido ir para um ambiente em que todos bebem, menos você e todos sairão para a balada, menos você. Não precisa pedir... de quando em quando, o mensageiro de satanás virá para lhe esbofetear. Retire-se da Babilônia. Retire-se dos ambientes do velho homem. Retire-se dia após dia das brechas.

O diabo não precisa de muito para liquidar alguém. Existe quem se ache esperto e premeditadamente se diz frio espiritualmente no último trimestre do ano, desvia no carnaval para, então, voltar para a igreja depois dele. Vale lembrar que alguns não conseguem voltar e a Bíblia nos permite dizer que há aqueles que não voltarão.

Faça você o seu retiro!

Permaneçamos firmes!

Nota: publicado originalmente neste blog em 10/02/2010.

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