domingo, 29 de março de 2009

É hora de conserto!!!




E dois dias depois partiu dali, e foi para a Galiléia. Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria pátria. Chegando, pois, à Galiléia, os galileus o receberam, vistas todas as coisas que fizera em Jerusalém, no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa. Segunda vez foi Jesus a Caná da Galiléia, onde da água fizera vinho. E havia ali um nobre, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum. Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele, e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava à morte. Então Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis. Disse-lhe o nobre: Senhor, desce, antes que meu filho morra. Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e partiu. E descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe anunciaram, dizendo: O teu filho vive. Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor. E disseram-lhe: Ontem às sete horas a febre o deixou. Entendeu, pois, o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa. Jo 4.43-53

Um alto oficial, um nobre, um homem que apesar de seu status tinha demandas como qualquer pessoa. A Bíblia relata que este homem tinha um filho enfermo na cidade de Cafarnaum, aquela mesma cidade, dita impenitente. Tantos foram os milagres operados ali sem arrependimento por parte dos seus habitantes que Jesus prometeu haver menos rigor para ela, no dia do Juízo, do que para Sodoma e Gomorra.

Jesus havia decidido voltar para a Galiléia porque os fariseus descobriram que mais e mais discípulos estavam sendo feitos na Judéia. Após permanecer em Samaria por um tempo, Jesus finalmente chega a Galiléia sendo encontrado pelo alto oficial. Não foi tão fácil, ele teve que subir (a pé, a cavalo ou de camelo...) até o lugar em que Jesus estava. Ao colocar a sua petição, existe uma ponderação por parte do Messias. Afinal aquele homem era de Cafarnaum. Após tantos sinais, Jesus resolve operar mais um para que os daquela cidade pudessem testemunhar do seu poder. Ah... o Senhor, sempre longânimo e benigno! A maneira como o alto oficial clama a Jesus fez a diferença porque ele era um alto oficial do rei e diante de um carpinteiro, ele pede, roga e o chama de Senhor.

Ali, já não era mais uma questão meramente pessoal. Ali já não era apenas a busca da solução de um problema. Este clamor denuncia a compreensão sobre quem era Jesus. Não apenas alguém que resolve mas alguém que cura, liberta e principalmente salva! Existe, no meio evangélico, o ditado de quem não vem pelo amor vem pela dor e não deixa de haver um fundo de verdade nestas palavras. O ponto crítico é alguém se achegar e permanecer na igreja somente para seus próprios interesses. Este é o mal do qual sofremos nos dias de hoje!

Aquele homem numa atitude desesperada e sincera pede a Jesus para que Ele descesse até aonde seu filho doente se encontrava. Como assim? Alguém sendo servo pedir ao seu senhor para que ele desça? Ele sobe aonde Jesus está, ele se humilha abrindo mão de sua posição social, ele pede, ele roga e a glória de Deus desce exatamente onde ele mais precisava. Quando eu e você subimos à presença de Deus através da oração, a glória de Deus desce sobre nossa vida! Quando subimos a presença do Rei vazios de nós mesmos encontramos o Seu favor! Este é o mecanismo e a lição a ser aprendida.

Por que estamos na igreja? Por que nos afastamos das coisas mundanas e frequentamos uma denominação? Pra quê? Qual é o nosso real interesse? No reino de Deus não há lugar para sorriso amarelo. Não é lugar para mesquinhez ou para mais ou menos. Clareza de sentimentos e honestidade são premissas das quais Deus não abre mão no relacionamento com os seus. Muitos, nessa dispensação, acabam caindo numa rotina espiritual, reclamam que é tudo a mesma coisa, já não se sentem tão motivados como antes. Por trás de tais palavras existe um desapontamento egoísta por não ter satisfeito suas necessidades, seja de reconhecimento, seja de qualquer outra coisa. Ora... há uma insatisfação generalizada no meio evangélico por boa parte dos que lotam as igrejas no domingo. Sentimentos reprimidos, por vezes camuflados e fortalecidos pelas mensagens humanistas de alguns púlpitos. Deus te pergunta:

Ó povo meu, que te tenho feito? E com que te enfadei? Testifica contra mim. Mq 6.3

O Senhor dos Exércitos pergunta qual é o problema? Em que Ele tem errado contigo? Não adianta transferir a culpa para o pastor, para o líder, para a denominação, para isso ou aquilo. Olhe pra dentro de ti mesmo e veja quem está sentado no trono do teu coração! Pare e vomite de uma vez esse ego alimentado pelo vinho do inferno! Converta-te desses maus caminhos, caminhos humanistas, enquanto ainda podes!

Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça e ames a begnidade e andes humildemente com o teu Deus? Mq 6.8

Se tu consideras isto muito pesado ou se a motivação do teu coração está fora destas palavras, arrepedenda-te! Procure com urgência o teu pastor ou um irmão mais chegado e confesse o pecado. Peça ajuda! Pode parecer algo simples, nem tão grave assim, porém, essas palavras foram para o povo de Deus num período de equívoco espiritual. Palavras duras justamente pelo amor incondicional que nos é direcionado pelo nosso Senhor. É hora de conserto! Enquanto há vida, há tempo para quebrantamento e para voltar os pés aos estatutos bíblicos. Saiba crente que nossos pontos-de-vista e opiniões cabem dentro de uma caixa de madeira. Todos os achismos e discordâncias fúteis descem conosco ao pó da terra. Vê-se, então, que muitas vezes tudo deu em nada. Tanta impenitência... para nada. Queimando no fogo do inferno, saberás o porquê e lembrarás entre gemidos e ranger de dentes como foste enganado pelas deturpações de tua alma. A sede pelo poder. A dureza de coração é a pá que cava a sepultura. Desperta... antes que anoiteça!

É dada a oportunidade para considerarmos nosso caminhar. Saber se temos um coração disposto a sair da incredulidade (Cafarnaum) ou de uma fé tacanha e subir à presença de Jesus (Galiléia). Esquecermos do que temos ou do que somos (alto oficial) e clamarmos com toda a força: Senhor! Senhor, desce! Saber tratarmos com Deus e com aqueles que ele estabelece na terra para cuidar do Reino. O temor é o princípio.

Assim, de verdade, creremos todos! Nós e os de nossa casa!

Amém.




terça-feira, 24 de março de 2009

Eu, o Bozo!


Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. Mt 12.7

Jesus era bastante versátil em sua maneira de lidar com as pessoas. Ele não tinha um "estilo" definido, porque em vários momentos apresenta-se compassivo e ao mesmo tempo duro no falar. Ali estava ele conversando com alguns fariseus, questionado acerca do comportamento dos seus discípulos quanto algumas normas da lei. O problema em si não estava na lei, mas na maneira como lidavam com a lei.

Outro dia, eu sentado numa condução, pronto para ler um livro, fui impedido pela conversa paralela entre uma senhora e seu filho. Logo ali, ao meu lado, ela deu a falar e a falar. Após um esforço sobrehumano para ler duas páginas em alguns minutos, eu me dei por vencido, fechei o livro e inevitavelmente ouvi o diálogo.

_ Estou com medo de tomar uma multa. Preciso pedir àquele rapaz pra tirar "aquele negócio" lá de casa porque o que colocou não quer mais tirar; disse a mulher.

"Aquele negócio" ao qual a tia se referia era uma ligação clandestina de luz ou como chamamos aqui no RJ, o famoso "gato". Passados alguns instantes, a senhora deu a abordar outro assunto.

_ Não entendi aquelas fichas. São duas fotos e as fichas preenchidas? (perguntou a mulher).
_ Sim, respondeu o filho. Mas a senhora já renovou a carteirinha, correto? Se já renovou não precisa entregar as fichas. Só os novos precisam.
_ Ah, tá. É que o pastor me ligou cobrando as fichas. Então, é só dos batizandos e novos convertidos?
_ Não, ficha de membro só dos que se batizaram! disse o rapaz.
_ Então fulano só depois que casar, se batizar... quando tiver tudo certinho, aí a gente manda a ficha dele de membro? perguntou a mãe pra confirmar.
_ É isso!

De cara, eu pensei: ih, a dona do "gato" é creeeeeente??? Caraaaaaamba! Misericórdia... Mais surpresa ainda foi o procedimento de sua denominação evangélica para estabelecer quem é membro e quem não é. Pelo diálogo ouvido, fulano mesmo frequentando os cultos, independente do tempo em questão, não é considerado membro da congregação enquanto não se batizar. Para isto, ele precisará casar no civil, correto? Casar no civil? Corretíssimo. Por outro lado, é por demais confuso e burocrático este acerto com o integrar ou não a mebresia.

Sem casar no civil, não pode se batizar. Sem se batizar, não pode tomar a Santa Ceia. Sem tomar a Santa Ceira, biblicamente falando, ele não tem parte no Corpo de Cristo. É exatamente isso que fulano está sofrendo, uma exclusão da comunhão com o Espírito Santo de Deus e uma rotulação no meio da igreja. Afinal, duvido muito que não comentem o fato de fulano não ser batizado por isso e aquilo... É o que fazem as regras humanas. Homens que condenam inocentes.

Não estou aqui para criticar o regime interno de cada denominação. O cuidado a ser tomado é o de não sobrepujar coisas a pessoas. Se fulano ainda não tem ficha de membro é porque não é membro, amém? Assim sendo, seu dízimo não pode ser aceito pelo pastor, afinal, dízimo se dá no local onde se congrega. Amém? É algo claro, mas, duvido muito que seja pregado. As ovelhinhas são emudecidas e condicionadas pelo sistema em prol de um respeito a autoridades pra lá de exacerbadas. Esticadas. Aumentadas. Adulteradas. Extrapoladas.

É muito trelêlê... muito fardo. Balança enganosa, acepção de pessoas, critérios humanos, politicagem, coisificação do homem, organização e não organismo vivo, não pense, não fale, não olhe para o homem (então o que ele está fazendo ali mesmo?), rótulos, estigmas, sofismas, assédio moral, religiosidade, egocentrismo, status, poder, vanglória, rivalidade, disputas, intrigas, esquemas, sistemas, manobras, manipulação. Algum partido político? Não não, trata-se da igreja evangélica do século XXI.

Deixe estar!

Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel. Sl 121.4

Deixe estar!

Enquanto isso... para não pecar, muitas vezes visto a carapuça: eu, o bozo!




domingo, 15 de março de 2009

Paixão: o gatilho do teu milagre!


E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam. E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos. At 16.25-26

Esta passagem é bastante conhecida. Ela normalmente é pregada ressaltando que a vitória do crente é certa, aconteça o que acontecer. Disto, não resta dúvida, porém, existe um detalhe pouco comentado. Isto aconteceu durante a segunda viagem missionária de Paulo. Ele e Silas estavam no centro da vontade de Deus e nem por isso foram livrados dos muitos açoites e do cárcere.

Este detalhe vai de encontro com a pregação triunfalista dos nossos dias. O centro desta pregação não é mais Jesus Cristo e sim o próprio homem. Certo é que vivemos dias maus; dias de muito estresse e muita pressão piscológica, mas daí a transformar os cultos em sessões de auto-ajuda já é demais. Isto digo, porque é muito comum ouvir que Deus vai cumprir o que prometeu na tua vida, que a vitória é nossa, que você é cabeça e não cauda, que você foi feito para prosperar, que você é lindo, etc, etc, etc... enfim, você é o cara! Não é por mal, porém, já se tornou um hábito apresentar Jesus como um fazedor de coisas, como uma espécie de super-homem que veio ao mundo somente para resolver seus problemas e não para salvar a sua alma da condenação eterna. Salvação? Ts... detalhe, detalhe... o povo quer pão e circo! O resultado é um grande número de pessoas inchando os templos evangélicos atrás de algum benefício. Desconhecedores por completo da obra redentora do Senhor Jesus.

Paulo e Silas não eram deste tipo. Paulo e Silas eram apaixonados. Embora muitos digam ser errado utilizar esta expressão para definir seu sentimento por Deus, eu acredito ser a mais adequada para expressar um amor desinteressado. Sim, nada haver com a paixão de um início de namoro, mas, relacionada a um sentimento ardente, a brilho nos olhos, a uma motivação intrínseca, ou seja, interior e que não depende de estímulos externos. Será que podemos, então, afirmar que dois homens feridos por todo o corpo, acorrentados, e ainda ergueram suas vozes para orar/cantar e cantar/orar eram extremamente apaixonados?

Num domingo qualquer, eu estava em casa assistindo a um jogo de futebol. Antes da partida, a câmera mostrava a torcida (e que torcida! A maior do mundo... rá!) e eis uma faixa escrita: "Nada do Flamengo. Tudo pelo Flamengo". Eu já não prestava atenção no que via tamanho o impacto desta frase e minha meditação na sua profundidade. Tem muito evangélico perdendo pra torcida organizada, eu pensei! E tem mesmo. Senão, vejamos...

O amor de um torcedor é desinteressado. Totalmente. Se considerarmos esta relação nos seus detalhes, o custo-benefício é negativo, entretanto, insuficiente para aplacar o sentimento de um torcedor apaixonado. Ele vai ao jogo mesmo sem ter grana. Ele viaja pra outro estado, sem se preocupar com a ida e muito menos a volta. Se for de organizada, então, sempre contribui financeiramente para a confecção das bandeiras. Ele não tem vergonha de dizer qual o seu time mesmo se o clube for rebaixado. Enfrenta calor, sol, chuva... o risco de sair uma briga na arquibancada... condução lotada e apesar de muitas vezes os jogadores não honrarem a camisa, o torcedor entra em êxtase no momento do gol!

E você, crente em Jesus? Ainda é tão apaixonado por Ele como no começo da sua conversão? Até quando vai precisar de um empurrãozinho, de alguém dizendo o quanto é importante ler a Bíblia, orar, estar na igreja, participar do Corpo de Cristo? É cansativo, irmãos... pessoas que condicionam o seu serviço cristão a um punhado de desculpas. São desmotivados. Cansados. Morosos. Apáticos! Diz um autor muito famoso que existem pessoas que passam pela vida sem nunca estrear. Vivem condicionando seu momento de encarar a realidade: ah, depois que eu casar... depois que eu me formar... depois que eu sair da casa dos meus pais... depois que eu arrumar um emprego... depois que eu comprar um carro... depois que eu entrar na faculdade... depois que eu crirar meus filhos... e blábláblá... o tempo passa, irmãos!

O pior, no caso dos ditos evangélicos, é quando a pessoa se envolve na igreja com a pretensão de ter alguma coisa nas mãos para barganhar com Deus já que a Bíblia orienta a buscar em primeiro lugar a Sua justiça. "Ó Deus, estou trabalhando na igreja... mereço que as demais coisas sejam acrescentadas, ora!". É patético querer criar fórmulas, passos, "ofertas com propósito" para alcançar uma benção do Senhor. Vai ler a Bíblia, irmão! Vai estudar um pouquinho a Palavra, rapaz! Pára com essa pataquada!!!!!

Os evangélicos perdem e feio de uma torcida organizada. No maraca ninguém precisa pedir "ponha a mão no ombro do seu irmão... diga para o seu irmão..." (ô coisinha chata, diga-se de passagem!). É tudo muito espontâneo porque há paixão, há alegria, há desinteresse próprio! Os flamenguistas cantam "Eu... sempre te amarei... onde estiver estarei... ó meu mengô!"... agora, boa parte dos evangélicos não pode cantar o mesmo pra Jesus porque... se estiver chovendo... huuuuum... babou! Ou porque a igreja é longe.... ou porque não tem carro... ou porque isso e aquilo. Desconhecedores por completo da obra redentora do Senhor Jesus. Eu nunca vi ex-flamenguista, ex-tricolor, ex-vascaíno. Quando o Corínthians foi rebaixado, a Fiel (olha o nome da torcida, crente... aprende!) gritava "Eu nunca vou te abandonar, Corínthians!!!!". Já os evangélicos... huuuuum... gente que pára na caminhada e você pergunta o porquê e ela responde com aquela cara de empada "nuuuum seeeei". Vai se converter, meu filho, vai procurar ter um encontro com Deus, vai! Outros vivem como aquela hiena - ó vida, ó azar... - porque ainda estão sozinhos ou porque não conquistaram a tal da promessa e Deus prometeu, mas, está demorando... argh! Te converte! Não conseguem se alegrar de maneira nenhuma com a salvação e a graça do Deus de Israel, com as Suas misericórdias... interesseiros! E pensar que palmeireinses e botafoguenses viram seus times ficarem dezessete e vinte um anos, respectivamente, sem ganhar nada, no entanto, continuaram firmes na sua convicção (futebolística)...

Eu destaco duas semellhanças entre os torcedores e os crentes deste século: ambos tem os maduros e sensatos e os meninos e inconsequentes. Semelhantemente ao torcedor que vai a uma partida muitas vezes porque é uma válvula de escape para fugir um pouquinho da sua dura realidade, muito crente vai a um culto com o mesmo espírito. Sim. Precisa sempre de uma oraçãozinha no final ou de uma unçãozinha. Sempre de uma palavra de ânimo para se empolgar e não enfraquecer na fé. Isto é lamentável. Muitos irmãos estão atravessando os piores momentos de suas vidas e precisam de conforto, é verdade. Não me refiro a estes mas aos que são mancos na fé e correm atrás de uma nova unção, um novo mover a todo instante... de qual culto de avivamento participaram Paulo e Silas? De que campanha da vitória?

Paulo e Silas viveram o milagre porque amavam o Senhor de maneira desinteressada. Ao invés de questionar o porquê dos açoites e da prisão, louvaram. Os alicerces da cadeia se quebraram porque os alicerces interiores já haviam ido ao chão. Somente alguém com as prisões da alma destruídas é capaz de orar e cantar com o corpo dolorido e arrebentado. Isto é amor desinteressado. Isto é paixão. A benção veio sem eles a terem buscado. O milagre aconteceu sem ter sido alvo de nenhum tipo de oferta monetária ou oração forte! A paixão foi o gatilho!

Você tem a liberdade de discordar destas palavras (o que pra mim será uma vitória nestes tempos em que se engole tudo sem olhar o prazo de validade...). Faça isso. Reveja também suas intenções dentro da igreja em que congrega. Reveja sua motivação em se afastar de coisas mundanas e frequentar uma igreja evangélica todos os domingos. Eu já revi a minha.

Será que a sua motivação tem vencimento estipulado? Será que está condicionada a alguma coisa? Será que depende de alguma benção específica?

Examine-se a si mesmo e arrependa-se enquanto há tempo!

ELE vem pra medir!


quinta-feira, 5 de março de 2009

O dia em que a fé acabou...



O DIA EM QUE A FÉ ACABOU.



“Quando o Filho do Homem voltar, porventura

encontrará fé na terra?” (Lc 18.8)


Ano de 2025. O culto das 18 horas vai começar numa mega-igreja dentre muitas que se espalham pela cidade. A grandiosidade e beleza do templo confundem-se com os modernos shoppings. Dentro há grandes lojas, academia para os fiéis, salas de jogos e restaurante. O culto pode ser assistido de qualquer lugar da catedral, até mesmo da sala de jogos virtuais freqüentada pelos adolescentes. Finos telões de plasma espalham-se por salões climatizados e poltronas confortáveis.


As pequenas congregações quase desapareceram, pois estas, sem recursos, não oferecem comodidade aos novos crentes, nem estacionamento ou berçários com monitoras treinadas, nem cartões de fidelidade (na verdade, um chip implantado no dorso da mão) com grandes descontos nas lojas que levam a griffe da denominação.

Noto que quase ninguém se conhece, e isso parece não ter muita importância, pois, afinal, é um lugar de grande concentração, e os evangélicos agora são maioria da população. Também percebo que não trazem a bíblia, pois segundo um dos freqüentadores, depois que os Anjopóstolos (é o título atual) escreveram e-books explicando os principais tópicos da bíblia, de forma que não desse mais margens à dúvidas, ela se tornou um tanto obsoleta, embora haja exemplares expostos no Museu da igreja para quem deseja vê-las.

Outro motivo para deixarem a Bíblia de lado é que o povo já há muito tempo vinha clamando por novas visões – e não mais as antigas – que “já não têm mais sentido num mundo tão avançado”, disseram.

Vi algumas inovações: a ceia é servida em um kit embalado com pão e vinho para ser tomado a qualquer momento pelo fiel. Explicaram-me que não era mais possível partilhar da forma da Igreja primitiva, embora, estranhamente, ainda a chamem de “Comunhão”, o que achei engraçado. Na hora das ofertas ninguém sai de seu lugar, mas aperta algumas senhas num pequeno palmtop que todos recebem ao entrar. Senti saudades de quando era criança e íamos todos cantando ao altar levar algumas moedas ao gazofilácio.

O líder-mor começará a falar. Ele é muito carismático e agradável. Fala de forma mansa, mas incisiva. Sua fama cresceu muito desde que fez inúmeras curas e milagres “via internet” diante dos olhos de todo o mundo [1]. Ele é confidente de vários chefes de Estado, e viaja constantemente a pedido deles.

Fiquei curioso se nunca questionaram sua autoridade. Disseram-me: ora, se um ministério cresce tanto e alcança escala mundial, só pode ser de Deus – e só os invejosos é que são contra, e ademais, os milagres que ele faz são inquestionáveis, conforme o mundo inteiro comprovou [2].

Perguntei se havia muitas conversões e o meu interlocutor olhou-me espantado. Não chamamos mais de conversão – disse-me ele – agora falamos em adesão! Conversão é muito impositivo para esta época e invade a privacidade: as pessoas a-d-e-r-e-m ao nosso movimento, para alcançarem os desejos de seu coração, e isso basta.

Começo a observar os fiéis: parecem todos muito uniformes, enquadrados, ouvem sem questionar [3], não conferem nada na Palavra, que lhes é obscura. Não vejo alegria genuína, mas antes, um olhar vago e distante. Fazem marchas e passeatas com palavras de guerra espiritual nos lábios. Exaltam seus lideres, quase numa atitude de adoração. Noto que alguns jovens mais afoitos têm o nome deles gravado na testa para demonstrar fidelidade [4].

De um grupo que conversava só ouvi superficialidades e um linguajar desprovido de reflexão, cada um querendo contar que novo artigo havia pedido a Deus de presente. Ficou patente para mim que não há mais sentido explicar ali que há um céu que aguardamos ou que somos peregrinos na terra [5], pois a igreja promete o céu inteiro agora. Ainda caçoaram: “Ora, aqui ninguém fala, Maranata Vem Jesus!” [6].

Indaguei sobre a Escola Bíblica Dominical, mas poucos sabiam do que se tratava. E quem sabia, disfarçava um sorriso, dizendo que já não era mais necessária, pois tudo o que precisavam saber, o Espírito Santo revelava através da cobertura de seus “conselheiros espirituais”.

Todos estavam eufóricos pois foi eleito o nosso primeiro presidente evangélico. Ele costuma tomar o avião presidencial e do alto derrama óleo para ungir a nação e profetizar prosperidade. O Congresso também é dominado pelos evangelicals, pois ficou fácil conquistar votos nas igrejas desde que o catolicismo deixou de ser maioria. Nunca houve tanto nepotismo e corrupção, mas os deputados insistem que tudo não passa de perseguição satânica com o propósito de destruir a Igreja.

Reconheci entre os “Anjopóstolos” nomes de homens e mulheres que foram presos no passado, mas agora eram vistos como “mártires”, embora não tivessem morrido, e nem exatamente sofrido por causa da fé.

As pessoas passam umas pelas outras; não se olham nos olhos, não se abraçam, não há o ósculo tão característico da igreja cristã, são multidões, e percebe-se que não há intimidade, comunhão ou interesse pelo outro. Deus existe só para suprir seus caprichos infantis, a Graça foi enterrada e a “meritocracia” entrou em seu lugar [7]. Compreendi, então, porque Jesus disse que “por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” [8].

Comecei a me indignar e revoltar [9] contra a cegueira do povo e contra o espírito do anticristo [10] ali dominante, quando de súbito acordei suando e gritando “o que fizeram com a Igreja?... o que fizeram com a Igreja?”.

Felizmente, tudo não passou de um pesadelo, sem base real. Como ainda era madrugada, liguei a TV para assistir a uma pregação evangélica, e me acalmar.

Fonte: http://bereianos.blogspot.com/

Referências:
[1] 1 Ts 2.9
[2] 1Ts 2.11
[3] Tt 2.6
[4] Ap 13.16
[5] Hb 11.13
[6] 1Co 16.22
[7] Jd 16
[8] Mt 24.12
[9] At 17.16
[10] 1Jo 2.18




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