terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sofrimento Carnal x Sofrimento Espiritual


"Se pelo nome de Cristo sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus" 1Pe 4.14

Seria o sofrimento diferente em modalidade, mas, sempre o mesmo na sua essência ou poderia haver alguma diferença qualitativa? Isto, pois, o texto acima tanto quanto outros do Novo Testamento traz um elemento complementar à condição de sofrimento. Geralmente, este termo enfatiza que a causa da adversidade, uma vez sendo a fé em Cristo, é motivo de gozo, satisfação e participação concreta na obra salvífica de Jesus Cristo.

Ora, é possível concluir que se pelo nome de Cristo sois injuriados, bem-aventurados sois, logo, se por qualquer outro motivo sois injuriados, bem-aventurados não sois. Parece meio "filosofês", mas, a espiritualidade do sofrer e seu proveito vêm nos textos bíblicos sempre grifados pela relação com a fé em Cristo Jesus. Isto põe a igreja ocidental num patamar muito aquém daquele para o qual Timóteo é convidado por Paulo - o sofrer as aflições do Evangelho.

Sofrer um assalto à mão armada, sofrer uma enfermidade, sofrer uma desilusão amorosa, sofrer uma traição, sofrer uma demissão, sofrer uma crise no casamento, sofrer uma decepção, sofrer de inveja alheia, sofrer uma crise financeira... não parece ser este tipo de coisa que permite o privilégio de ter as lágrimas enxugadas pelo próprio Deus. Pois, são coisas inerentes à existência humana, coisas corriqueiras. Imagine o Eterno do Seu alto e sublime trono se ocupando com as confusões diárias de cada cristão?

Talvez você pondere que na condição de pai, Deus faz isso sim, porque se importa com os mínimos detalhes de nossa vida. É verdade, eu creio, mas, o tom não é esse. O que surge desta meditação (entenda isso, este não é um texto conclusivo e gostaria muito de sua participação para entendermos mais de Deus) é que os evangélicos que habitam em território onde há liberdade religiosa, sempre ficarão à margem do âmago do Evangelho genuíno: o sofrer por Cristo.

Ao olhar para os testemunhos dos missionários transculturais e da Igreja Perseguida, é fácil identificar a diferença entre o sofrimento carnal e o sofrimento espiritual. Não, eu não menosprezo a afronta do seu chefe ou dos seus pais logo após a sua conversão! Mas, acredite, eles logo se acostumarão; sério! Enquanto isso, do outro lado do meridiano... torturas, trabalho escravo, assassinatos. O mal entendido sobre o sofrimento espiritual fica mais latente no valor das ofertas levantadas para missões.


Desta forma, pode ser que eu e você tenhamos nos enganado achando que estávamos no "estreito", estávamos na "prova" porque éramos os bem-aventurados cumpridores das obrigações cristãs. Não mesmo. Estávamos apenas vivenciando nossa existência natural e nada mais, sem nenhum reflexo para a eternidade. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos conceda, nem que seja por um breve instante, o sofrer por Cristo como diz aquela letra do Oficina G3: "não nos deixe viver nesta Terra sem escrever a Tua história, Senhor!".


Permaneçamos firmes!


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domingo, 23 de janeiro de 2011

Por que o Cristão Sofre?



"tomai por modelo na paciência e no sofrimento os profetas" ´
(Tg 5.10)

Todos nós precisamos de consolação nos momentos ruins pelos quais passamos. Por outro lado, a diferença se faz principalmente quando ela vem pautada na sinceridade e no reconhecimento de que, por mais que nos esforcemos, nem eu nem você temos todas as respostas. Mais uma vez, a soberania de Deus surge como um porto-seguro no qual de maneira concreta e experimental a Graça do nosso Senhor Jesus Cristo nos basta e nos é suficiente.

Isto afirmo porque o sofrimento é algo quem nem mesmo o cristão tem sabido lidar. Não que sejamos superiores a um não-cristão, porém, ante o ocorrido na região serrana do Rio de Janeiro e em outros estados, há uma pergunta que não quer calar: por que o cristão sofre? Ora, creio que todos já se perguntaram isso alguma vez e creio que a maioria já passou desta fase. Só que os debates suscitados por esta tragédia parecem refletir um espanto incomum como se a conversão trouxesse uma certa imunidade.

Duvido muito este coro ser composto apenas de novos convertidos. Quem sabe expresse os efeitos colaterais de se nascer num lar cristão; sei lá. Só sei que é lugar comum a tentativa de se decifrar os acontecimentos sempre como uma pista daquilo que está por vir e este por vir sempre se trata de uma vitória. Como aqueles jargões do tipo: "Se a luta é grande é porque a vitória é maior ainda", "Você está sofrendo retaliação" ou "O inimigo está furioso" (?).

Longe de mim ser sarcástico, mas, diga algo assim para os irmãos em Cristo que perderam bens e familiares nas enchentes. Não fará o menor sentido! Este, então, é o ponto crítico, pois, existe um evangelho falado sendo reproduzido por gerações e que não possui raiz em lugar nenhum das Escrituras. A maior ação de Deus em nosso favor foi entregar o Seu filho a morrer por nós. Não estamos no Antigo Testamento, portanto, contente-se, pois, Deus não vai colocar exércitos inimigos aos seus pés nem coisas do tipo.

Logo, se a luta está grande? Prepare-se; pode ficar maior ainda! Antes encarar os fatos e as possibilidades do que pautar sua fé em doces falácias. Temos uma paz que não é a paz do mundo. Temos uma paz que Cristo nos dá e independe das circunstâncias. Por mais doído que esteja o nosso presente, sabemos o que o futuro nos reserva: a Nova Jerusalém.  Daí, sejamos simples e sigamos o conselho do apóstolo Tiago, "Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração" (capítulo 5, verso 13).

Permaneçamos firmes!

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pregadores do Evangelho do Reino: Há Vagas!


(Prezado leitor, tenho estado de repouso absoluto e impossibilitado de usar o computador. Graças a gradativa melhora, consegui vir aqui e achei por bem, republicar a 1ª postagem do ano de 2010. Ela é bastante atual e coloquei um novo título para incitar, inclusive os blogueiros, a atenderem a esse chamado! Permaneçamos firmes!)

Sai ano, entra ano e é lugar comum nas igrejas evangélicas a adoção de um lema para os próximos 365 dias. Não que eu seja contra, pelo contrário, tanto que resolvi aderir à idéia: 2010, o Ano da Pertubação! Como a coisa não evoluiu muito neste último ano, eu anuncio aos que desejam pregar o Evangelho do Reino: Há Vagas!


Por que disto? Bem, recentemente eu conversava com um amigo e ele me dizia sobre a diferença dos dias atuais para os tempos bíblicos e sobre a questão de não haver mais perseguição ao evangelho fora dos países onde não existe liberdade religiosa. Eu ponderei dizendo residir aí o grande problema: o que se chama de evangelho não é o Evangelho, pelo menos não o do Reino pregado por João Batista e o próprio Senhor Jesus. Todos sabemos dos erros doutrinários disseminados pela tv e pelos púlpitos do mundo afora, entretanto, cuido para não ser repetitivo e prefiro olhar o outro lado da moeda. Sim, porque nem todos são adeptos das megalomanias modernas, então, tentamos manter-nos longe do que tão claramente é equívoco. Por outro lado, o que temos apresentado como contra-partida?


Porém, não os achando, trouxeram Jasom e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui...

At 17.6 


Era assim que a sociedade da época classificava os cristãos, os que têm alvoroçado o mundo, aqueles que pertubavam a ordem das coisas. Eles não faziam marchas "pra Jesus", não incitavam luta armada nem eram contra as autoridades civis da época, simplesmente faziam aquilo para o qual tinham sido chamados, ou seja, pregar o Evangelho. Sinceramente... seja sincero consigo mesmo e responda: é o que temos feito, nós que não pregamos prosperidade nem qualquer outro tipo de invencionice?

Reparo muitas vezes um amor piegas no tratamento com aqueles que visitam os templos, uma preocupação hercúlea para a pessoa se sentir bem, ela tem que se sentir bem e pronto. Não se pode pregar de tal forma que ela se sinta melindrada, não se pode fazer "dodói" se não ela nunca mais volta. Desta maneira, cometemos os mesmos erros que muitas vezes criticamos e acabamos sendo um sal insípido que para nada serve. A Bíblia é clara. Se "todo aquele que nele crê não pereça, mas, tenha a vida eterna" então "todo aquele que nele NÃO crê perecerá e NÃO terá a vida eterna". Ponto. Isto é a justiça de Deus, gostando o ouvinte ou não.


Estou enfadado de mensagens que só fazem rir, que apresentam um deus-avô que é incapaz de castigar alguém. Há uma tendência em não se falar mais de juízo, inferno, ranger de dentes, aflição, tribulação, etc. Soa como um desejo de que nós sejamos aceitos, que nós sejamos queridos por todos e todos vejam o quanto somos legais e carinhosos; aquela coisa bem piegas de patota, sabe... Como resultado, os cristãos que antes eram mal-vistos pela sociedade e pelos políticos, hoje, recebem títulos de cidadão honorário em sessões solenes nas câmaras municipais. 


Precisamos de pertubação. Pode alguém se converter sem se pertubar, sem se angustiar ante a santidade de Deus em contraste com seus pecados e sua imundície, seus fardos e o odor de suas enfermidades? Alguns podem se gabar e fazer chacota dos tele-mercenários, mas, por outro lado... o que dizer de seus cultos 3x4, sempre com uma palavrinha "chá-com-pão", insossa, e um louvor arrastado... aqueles jargões tipo "vire para o irmão do seu lado e diga...", "levante suas mãos, adore a deus", "quem tá feliz dá glória a deus", "eu profetizo que hoje é o dia do seu milagre", "algo sobrenatural vai acontecer aqui hoje", "eu sinto uma atmosfera diferente" e por aí vai. Detalhe: existe uma falta de conhecimento bíblico medonha! Inacreditavelmente, há pregadores, líderes e outros, que mal conhecem as Escrituras, não tem intimidade, sabe como é? Prega-se tanto no Antigo Testamento, porém, nunca se prega sobre as profecias de juízo e sobre a Lei. Coincidentemente, o apóstolo Paulo diz que a Lei expõe o pecado... ahn... então, acho que é isso. Falar de pecado? Não, não... cuidado para não magoar o visitante.


Nela, não comerás levedado; sete dias nela comerás pães asmos, pão de aflição (porquanto apressadamente saíste da terra do Egito), para que te lembres do dia da tua saída da terra do Egito, todos os dias da tua vida. Dt 16.3.

Quando esta geração insossa terá entendimento sobre os atributos de Deus? Dá para compreender que ELE exigia que os pães asmos fossem comidos durante uma festa? Não num dia de sepultamento ou lamentações, mas num dia de celebração para que o povo nunca se esquecesse de onde o Eterno havia lhe tirado. Nosso Deus é um Deus de pertubação! Dia de festa, pães da aflição! Jesus não veio trazer paz, mas, espada! Veio contrastar, veio inquietar, então, porque temos nos conformado com este século, irmãos? Se não meter o dedo na ferida, ela nunca sarará. Se não expusermos os pecados, não haverá arrependimento, porque, não posso me arrepender do que não sei do que se trata. Não há como buscar se santificar se a vileza da nossa natureza não é exposta na nossa cara a fim de nos confrontar. Não pregar sobre juízo é desonestidade, é não contar toda a história, é ser omisso e irresponsável com o dever de ministrar a santa Palavra, é ter parte na condenação de muitos...

Eu quero ser pertubado! Não quero ouvir mais só sobre promessas, pois, a da vida eterna me é suficiente. Ele nos escolheu, nos reconciliou com ELE e voltará para nos buscar! Eu quero pessoas que me pertubem com pregações confrontantes e me ajudem a buscar mais santidade. Pregadores como Paulo JúniorLeonard RavenhillDavid WilkersonPaul WahserTim ConwayMark Discroll e John Piper. Incito você, meu caro leitor, não a ser um rebelde-sem-causa, não; apenas a pregar a Palavra com coragem. Seja franco. Não tenha medo de ser tachado como diferente, ser discriminado, ser deixado de escanteio; resista! 


Resista!

Porque alguém tem que ter a cabeça numa bandeja de prata...


Alguém... 

Se você é um destes, responda a esse chamado. Pregadores do Evangelho do Reino: Há Vagas!

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