segunda-feira, 21 de outubro de 2013

#8 Reteté, Derrubando Sofismas - A Série




reteté

Eu não sei se você tem acompanhado esta série de mensagens. A proposta é desmistificar determinados ensinamentos que nada tem de bíblico ou que até constam no livro sagrado, porém são transmitidos de maneira errada. Pensando nisso, você, se for um não-carismático, logo vai pensar que o tal "reteté" é notoriamente algo condenável. É coisa de pentecostal e de quem não sabe o que é um culto racional, muitos dizem. Ao contrário, este artigo vem a levantar outros aspectos, sua origem histórica e a reflexão de determinados ponto. Acompanhe.

O que é reteté e quais os contras a esse movimento?




Pra quem não está familiarizado com o termo, "reteté" é o típico culto das igrejas pentecostais no qual os membros começam a emitir sílabas desconexas (fenômeno chamado de glossolalia) além de saltos e movimentos corporais. É uma espécie de êxtase espiritual defendido por uns e condenado por outros que apregoam isso nada ter a ver com o Pentecostes do livro de Atos dos Apóstolos. É fato que esta seara deu abertura para o surgimento de algumas outras manifestações bastante descabidas. Unção disso e daquilo, seminário disso e daquilo, promoveram uma supervalorização do sobrenatural restringindo o seu acesso somente a quem atendesse seus pré-requisitos. 

O assunto é polêmico porque vários irmãos alegam o que o apóstolo Paulo escreveu em 1 Co 14 sobre dois ou três apenas profetizarem e mesmo assim concomitantemente a um intérprete. Só que na mesma passagem, Paulo também ensina que as mulheres devem ficar caladas no culto (?). Quanto ao Pentecostes, muitos afirmam não ter acontecido glossolalia, mas sim que os discípulos falaram em outros idiomas. Seja como for, inegável é que eles pareciam estar alcoolizados, segundo o texto bíblico.



O que o reteté e os Heróis da Fé têm em comum?



Não sei quem se deu o trabalho de estudar o assunto a fundo, mas essas manifestações não são coisa de pentecostais. Todos pensam logo que surgiu com a Assembléia de Deus e que esse pessoal é mais chegado em mistérios do que em estudo da Palavra. Só que tal denominação foi inaugurada anos depois do Avivamento da Rua Azuza. Leia agora um trecho sobre como eram os cultos naquele lugar:

"As reuniões foram transferidas para a Rua Azusa, e desde então as multidões estão vindo. As reuniões começam por volta das 10 horas da manhã, e mal conseguem terminar antes das 20 ou 22 horas, e às vezes vão até às 2 ou 3 horas da madrugada, porque muitos estão buscando e outros estão caídos no poder de Deus. As pessoas estão buscando no altar três vezes por dia, e fileiras e mais fileiras de cadeiras precisam ser esvaziadas e ocupadas com os que estão buscando. Não podemos dizer quantas pessoas têm sido salvas, e santificadas, e batizadas com o Espírito Santo, e curadas de todos os tipos de enfermidade. Muitos estão falando em novas línguas e alguns estão indo para campos missionários com o dom de línguas. Estamos buscando mais do poder de Deus."

Eu confesso que sempre pensei ser esse o berço do reteté. Confesso também que nunca vi o "cair no espírito" como algo demais, herético; minhas restrições se davam sempre com a tal "unção do riso". Pois bem, qual não foi minha surpresa ao reler pela segunda vez o livro Heróis da Fé e descobrir que tudo isso já acontecia na igreja pós-reforma. Homens de inquestionável envergadura teológica e vida piedosa incomum encaravam com naturalidade tudo isso. Era como um espécie de carimbo de Deus em suas obras. Para não ficar nas minhas palavras, trago agora alguns trechos importantes para sua reflexão:

Como era de esperar, o Maligno tentou anular a obra gloriosa do Espírito Santo no "Grande espertamento", atribuindo tudo ao fanatismo. Em sua defesa Edwards es­creveu : "Deus, conforme as Escrituras, faz coisas extraor­dinárias. Há motivos para crer, pelas profecias da Bíblia, que sua obra mais maravilhosa seria feita nas últimas épo­cas do mundo. Nada se pode opor às manifestações físicas, como as lágrimas, gemidos, gritos, convulsões, falta de for­ças... De fato, é natural esperar, ao lembrarmo-nos da re­lação entre o corpo e o espírito, que tais coisas aconteçam. Assim falam as Escrituras: do carcereiro que caiu perante Paulo e Silas, angustiado e tremendo; do Salmista que ex­clamou, sob a convicção do pecado: 'Envelheceram os meus ossos pelo meu bramido durante o dia todo' (Salmo 32.3); dos discípulos, que, na tempestade do lago, clama­ram de medo; da Noiva, do Cântico dos Cânticos, que fi­cou vencida, pelo amor de Cristo, até desfalecer...". Jonathan Edwards, século XVIII.

No dia se­guinte em Fog's Manor, a concorrência aos cultos foi tão grande como em Nottingham. O povo ficou tão quebrantado que, por todos os lados, vi pessoas banhadas em lágri­mas. A palavra era mais cortante que espada de dois gu­mes e os gritos e gemidos alcançavam o coração mais endu­recido. Alguns tinham semblantes pálidos como a palidez de morte; outros torciam as mãos, cheios de angústia; ain­da outros foram prostrados ao chão, ao passo que outros caíam e eram aparados nos braços de amigos. A maior par­te do povo levantava os olhos para os céus, clamando e pe­dindo a misericórdia de Deus. Eu, enquanto os contempla­va, só podia pensar em uma coisa: o grande dia. Pareciam pessoas acordadas pela última trombeta, saindo dos seus túmulos para o juízo.  George Whitefield, século XVIII.

No Sul de Gales andava a pé, pregando, às vezes, cinco sermões num só dia. Apesar de não andar bem vestido e de possuir maneiras desastrosas, afluíam grandes multidões para ouvi-lo. Vivificado com o fogo celestial, subia em espírito como se tivesse asas de anjo e quase sempre levava o auditório consigo. Muitas vezes os ouvintes rompiam em choro e outras manifestações, coisas que não podiam evi­tar. Por isso eram conhecidos por "Saltadores Galeses".

Era convicção de Evans que seria melhor evitar os dois extremos: o excesso de ardor e a frieza demasiada. Porém Deus é um ser soberano, operando de várias maneiras. A alguns Ele atrai pelo amor, enquanto a outros Ele espanta com os trovões do Sinai, para acharem preciosa paz em Cristo. Os vacilantes, às vezes, são por Deus sacudidos sobre o abismo da angústia eterna, até clamarem pedindo misericórdia e acharem gozo indizível. O cálice desses transborda até que alguns, não compreendendo, pergunta­ram: - "Por que tanto excesso?"

Acerca da censura que faziam dos cultos, Evans escre­veu: "Admiro-me de que o gênio mau, chamando-se 'o anjo da ordem , queira experimentar tornar tudo, na ado­ração a Deus, em coisa tão seca como o monte Gilboa. Es­ses homens da ordem desejam que o orvalho caia e o sol brilhe sobre todas as suas flores, em todos os lugares, me­nos nos cultos ao Deus todo-poderoso. Nos teatros, nos ba­res e nas reuniões políticas, os homens comovem-se, entu­siasmam-se e são tocados de fogo como qualquer 'Saltador Galês'. Mas, segundo eles desejam, não deve haver coisa alguma que dê vida e entusiasmo à religião! Irmãos, medi­tai nisto! - Tendes razão, ou estais errados?"

[...]Passou então o grande avivamento do pregador ao povo em todos os lugares da ilha de Anglesey e em todo o Gales. A convicção de pecado, como grandes enchentes passava sobre os auditórios. O poder do Espírito Santo operava até o povo chorar e dançar de alegria. Um dos que assistiram ao seu famoso sermão sobre o Endemoninhado Gadareno, conta como Evans retratou tão fielmente a cena do livra­mento do pobre endemoninhado, a admiração do povo ao vê-lo liberto, o gozo da esposa e dos filhos quando voltou a casa, curado, que o auditório rompeu em grande riso e cho­ro. Christmas Evans, século XVII e XIX.



Diante da História, cabe perguntar o seguinte:

1. A manifestação do sobrenatural deve ser combatida, incentivada ou aceitável?

2. Deturpações não estão jogando em descrédito as manifestações genuínas?

3. O problema é falta de equilíbrio e/ou falta de discernimento?

O que você acha?


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