sexta-feira, 15 de março de 2013

A Eleição Do Papa Francisco E As Possíveis Consequências Para Os Evangélicos No Brasil




Elas são prováveis por causa das semelhanças entre a igreja católica e evangélica atuais já apontadas aqui neste blog [Clique Aqui e Aqui] há algum tempo. Se você não é evangélico, poderia se surpreender ao saber que seus líderes têm lançado mão de uma prerrogativa semelhante à infalibilidade papal. Sob o discurso repetitivo de "não toqueis no ungido do senhor" e "submissão incondicional às autoridades espirituais", a palavra deles é apresentada como uma direção inquestionável e jamais passível de contrariedades. Outros pontos em comum podem ser destacados:

1) Fiéis

Se entre os católicos a perda de fiéis não é novidade, entre os evangélicos é um fato inegável. É crescente o número de "desviados" (os que não congregam em nenhuma denominação e abandonam as práticas de fé) e os "desigrejados" (os que não congregam em nenhuma denominação, porém, não abandonam sua confissão e prática de fé). Dizem até que o número de pessoas afastadas é igual ao número de confessos. Ainda há outro fenômeno, outrora exclusividade da igreja católica, os não-praticantes. Aqueles que frequentam os cultos de vez em quando sem nenhum compromisso e evidência de fé comportamental.

2) Escândalos Padres e pastores figuram manchetes de jornais envolvidos em casos de pedofilia com frequência.

3) Política

A igreja  católica sempre teve papel importante nas eleições. Hoje, é evidente que a igreja evangélica exerce tal papel tendo sua representação própria no congresso. O pastor Silas Malafaia, embora sem nenhum cargo eletivo, teve o pastor de jovens de sua igreja como o mais votado do município do Rio de Janeiro na última eleição. A influência dos líderes religiosos é cada vez mais pertinente, inclusive para os não-religiosos que usufruem de oportunas alianças em época eleitoral.

E é justamente no campo político que a união entre católicos e evangélicos vem se fortalecendo contra o "inimigo" comum. O já citado pastor Malafaia, em 2011, liderou a manifestação em Brasília contra a PL 122 (relembre o caso clicando Aqui). Na ocasião, lado a lado, pastores e padres militaram em favor das "famílias, as questões religiosas e a liberdade de expressão”

O Papa Francisco é latino-americano e sabe que uma grande parcela de seu rebanho se encontra por aqui. Demonstrou simpatia discursando de forma meio que improvisada. Ganhou adeptos de imediato com sua postura cativante. Já está sendo alvo de críticos que o acusam de envolvimento com a ditadura em seu país (Clique Aqui), mas quando o assunto é esse, a igreja evangélica brasileira também tem os seus imbróglios (leia Golpe de 64: Assembléia de Deus Dá Vazão Nas Terra E Os Neopentecostais Agradecem. Clique Aqui).

Assume o papado deixando bem claro que sua igreja não retrocederá em termos teológicos. Isso sustenta seu discurso, no passado, de que a homossexualidade é uma aberração e combater o casamento de pessoas do mesmo sexo é uma guerra de Deus (Clique Aqui). Ao mesmo tempo, no Brasil, uma batalha épica é travada entre ativistas e políticos pró e contra a questão. Por isso mesmo, evangélicos têm suspirado de alívio com o inesperado reforço de peso.

Pastor Silas Malafaia já se valendo da posição de Papa Francisco

Papa Francisco ganha a simpatia de evangélicos brasileiros

Em suas palavras “Começamos este caminho, bispo e povo juntos. Esta viagem da Igreja de Roma, que guia a todas as igrejas, uma viagem de irmandade, de amor, de confiança entre nós”, foi clara a sinalização para um futuro entendimento com os sempre chamados "irmãos separados" (evangélicos).

Dados os motivos acima, parece inevitável que igreja católica e evangélica caminharão ainda mais juntas. Falar em ecumenismo religioso, talvez, seja um pouco demais, entretanto, no que diz a moral, sim. Ele é uma realidade. Curioso é que realmente padres e pastores estão andando cada vez lado a lado, até mesmo quando polemizam contrariando seus dogmas (leia Padres e Pastores que lutam em prol dos direitos homossexuais irão participar da parada gay. Clique Aqui). 


Até aonde essa união irá durar?

Um pastor como Silas Malafaia recusaria uma audiência papal, na próxima pastoral da juventude, para fortalecer a defesa da família e da liberdade religiosa?

A aliança entre católicos e luteranos (Saiba Mais. Clique Aqui) poderá facilitar a ligação com pentecostais, neopentecostais e tradicionais?

“A ideia era de que temos nos unir contra os diferentes males que afligem o mundo. Então, se vamos atacar a pobreza, precisamos fazer isso o juntos, para defender o casamento somente entre homens e mulheres, precisamos estar juntos”, diz o líder da Aliança Evangélica Argentina (Saiba mais clicando Aqui).





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